domingo, 23 de dezembro de 2012

CIÊNCIA E ESPIRITISMO

DIFERENTEMENTE DE OUTRAS DOUTRINAS, O ESPIRITISMO ESTIMULA SEUS ADEPTOS A LIBERDADE DE ENTENDIMENTO. A NÃO DOGMATIZAÇÃO DE SEUS POSTULADOS ABRE A POSSIBILIDADE PARA QUE CADA INDIVÍDUO ACEITE O QUE SUA RAZÃO PUDER COMPREENDER; PROFESSAR UMA CRENÇA QUE NÃO ENTENDEMOS SIGNIFICA ADOTAR UMA INVERDADE ÍNTIMA COMO REALIDADE, CONSTITUINDO UMA AGRESSÃO AO DIREITO DE LIVRE-ARBÍTRIO.(FREI FELIPE).

Veja bem, todo aquele que teve a oportunidade de concluir no mínimo o segundo grau, tem um relativo grau de instrução. Se tentarmos nos recordar de nossas aulas de química, com certa facilidade lembraremos do modelo atômico a nós apresentado, também o exploramos nas aulas de física.

Composto de núcleo e certo número de órbitas que variavam conforme a sua composição, conforme o elemento químico que representavam. Desta forma o número de órbitas variava em concordância com o número de elétrons que circundavam o núcleo. Mas a própria ciência reformulou este modelo, o átomo foi desmontado em mais algumas partes e seu funcionamento vem confundindo a cabeça de muitos estudiosos. Existe atualmente mais espaços vazios (ou desconhecidos) no interior destes átomos do que conteúdos que saibamos reconhecer.

Tomemos um exemplo, a sensação de tato é dada pelo contato entre esses elétrons. Portanto, não tocamos em nada, mas sentimos as cargas negativas que estes objetos possuem em sua formação atômica e isto nos dá a sensação de ter tocado algo. Mas espera aí, então a matéria não existe? Nosso corpo também é formado de elétrons, como ficamos? Para falar a verdade hoje a ciência nem sabe mais o que nós somos ou do que somos constituídos.

Mas estes mesmos físicos, que através das teorias da física quântica, que foi muito influenciada pelas descobertas de Einstein no século XX, falam de um elétron positivo, que é semelhante e encontra-se em oposição ao seu correspondente negativo, esse que nos acostumamos a conhecer na escola. Não o vemos, mas conseguimos detectá-lo pela influência que exercem em experimentos. Existiria então um mundo em posição oposta ao nosso, outro plano, um universo similar ao que residimos?

Acontece que a vibração de cada elemento os caracteriza e desta forma se fazem visíveis a nossa percepção ou não, esses diferentes padrões de vibração determinam diferentes organizações funcionais, conforme onde se encontra desenvolvida essa nossa percepção os percebemos ou não, porque nós também estamos organizados em vibrações diferentes e revestidos por átomos que variam também em sua formação. Se fosse possível acelerar demasiadamente uma partícula ela desapareceria para nós e reapareceria neste outro plano? O que para nós fica imaterial, neste outro plano transforma-se em matéria? Mas o mesmo Einstein formulou a teoria da relatividade, que nos diz que é impossível acelerar algo até a velocidade da luz, como fica este postulado? Sabemos que não alcançamos a velocidade da luz, mas isso ocorre porque ao nos aproximarmos destes valores a partícula acelerada se transmuta em outra forma de matéria? Estamos diante da constatação de uma velocidade negativa, o que já foi comprovado por Paul Dirac em experimentos.

Hoje cientistas se aproximam de um beco sem saída, Procuram uma teoria de unificação da física, mas sem se darem contas estão se aproximando da constatação da espiritualidade, mas não como algo sobrenatural e sim como um universo paralelo capaz de ser compreendido por outras leis físicas particulares a sua própria condição de existência.

Quando John Eccles, vencedor do prêmio Nobel de medicina de 1963 afirmou que as alternativas mecanicistas para explicar a consciência estavam esgotadas, e que a melhor alternativa era admitir a existência de algo extra-material a coordenar nossos pensamentos ele foi ignorado. Sua proposta foi tida, por alguns, como desvario da idade.

Roger Penrose, um dos maiores especialistas da atualidade em física relativista, catedrático em Oxford, tenta explicar esta mesma consciência através dos microtúbulos, um dos componentes formadores do cito-esqueleto celular. Saltos quânticos são as viagens dimensionais que nos colocam em contato constante com este universo paralelo? Se for isso o que existe lá? Se ao tentar explicar nossa consciência, e os modelos mais avançados caem nesta situação, onde está aquele que comanda nosso cérebro?

Aí então nos deparamos com uma inteligência que existe fora da matéria. Isso quem está dizendo não é nenhum Espírito, quem aponta nesta direção é a ciência humana, estes mesmos Homens de carne que teimam em não perceber o que está diante de seus olhos, bastando que encaixem as peças.

A inteligência é espiritual, existe e comanda nosso corpo de um universo paralelo. É lá que existimos, nós estamos lá comandando um corpo formado por átomos que se encontra do lado de cá. Confuso?! Pois é, mas isso prova que nós não somos este corpo de matéria densa, que existem seres que habitam um universo que é constituído de matéria organizada de uma forma diferente da nossa. Matéria sim, mas diferente da que conhecemos, onde as leis que a estruturam por conseqüência também necessariamente serão um pouco diferentes. Mas o mais importante de tudo isso, é a constatação de que “EU” não morro com o fim deste corpo, simplesmente porque “EU” não sou este corpo, eu o comando de um outro lugar, somente não me lembro exatamente disso pelas próprias diferenças no funcionamento destes lugares.

É preciso que aqueles que criticam o Espiritismo estudem mais para que não venham a parecer ingênuos ao fazer comentários sem a menor argumentação lógica. Ninguém é obrigado a aceitar nada.

A maior prova de que a ciência inicia um consistente namoro com as revelações espirituais é o fato de incluir em documentos que regem o exercício da medicina a possessão por espíritos não mais como uma doença alucinatória e sim como uma possibilidade viável de ocorrer, mesmo que inserida no contexto religioso e cultural.

Ao acompanhar médicos em pesquisas para buscar entender qual o funcionamento desta faculdade conhecida como mediunidade, que faz com que existam possibilidades de contato com este universo paralelo, e perceberem eles que existem alternativas de entendimento é prova maior do encontro que se dará no futuro entre a ciência e a espiritualidade. Se no passado a Glândula Pineal somente servia para regular a sexualidade nas primeiras etapas da vida infantil, hoje ela surge como estrutura capaz de registrar informações magnéticas, pelo mesmo funcionamento quântico que se encaminha o entendimento da consciência, a comprovar a realidade da comunicação com este outro mundo. Existe uma parte em nosso corpo material, em cada célula, elos de comunicação com esta matéria diferenciada, e que a passos largos mostra-se para a confirmação da ciência.

Se antes aceitávamos uma forma de funcionamento para este pequeno circuito a atuar em nosso cérebro, hoje, vislumbramos novas possibilidades, com novas explicações e constatações. A ignorância humana faz com que as pessoas acreditem que conceitos científicos estejam formulados com exatidão e por isso tornem-se irrevogáveis, aprisionando-nos em intransigentes formas de perceber o mundo. Muito ainda precisará ser alterado na forma limitada ao qual o ser humano se percebe e percebe ao próximo para que então, possa com melhores condições buscar entender superficialmente a obra de Deus. O progresso é continuo e independe de nossa vontade.

Frei Felipe

São Leopoldo, 5 de maio de 2005.

sábado, 24 de novembro de 2012

Cientistas examinam cérebro de médiuns brasileiros e fazem um inédita descoberta

Pesquisadores examinaram o cérebro de médiuns brasileiros e descobriram que áreas ligadas à linguagem tiveram atividade abaixo do esperado, o que poderia mostrar um estado de falta de foco e de perda da autoconsciência

A atividade cerebral em determinadas partes do cérebro dos médiuns diminui nas sessões de psicografia, revela um artigo científico publicado nesta sexta-feira na revista PLOS ONE. Realizado por pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo (USP), o estudo mapeou, por meio de tomografias, os cérebros de uma dezena de médiuns brasileiros enquanto eles psicografavam.

As áreas do cérebro que apresentaram redução no fluxo sanguíneo cerebral foram o hipocampo esquerdo, o giro temporal superior direito e regiões do lobo frontal, que são associadas ao raciocínio, planejamento, geração de linguagem, movimento e solução de problemas. Para os autores, entre eles Andrew Newberg, professor da Universidade Thomas Jefferson, e Julio Peres, professor do Instituto de Psicologia da USP, essa pouca atividade pode indicar falta de foco, de atenção e de autoconsciência durante as psicografias. O curioso, no entanto, é que a complexidade das cartas redigidas durante o transe da psicografia deveria estar relacionada com uma maior atividade nessas áreas do cérebro.

"Experiências espirituais afetam a atividade cerebral, e isso é conhecido. Mas a resposta cerebral à prática de uma suposta comunicação com um espírito ou uma pessoa morta recebeu pouca atenção científica. A partir de agora, novos estudos devem ser realizados", diz Newberg.

De acordo com o espiritismo, os médiuns, quando psicografam, recebem mensagens de espíritos de pessoas mortas. No Brasil, o mais conhecido dos médiuns foi o mineiro Chico Xavier (1910-2002), que produziu mais de 400 livros.

Para comparar o nível de atividade cerebral durante as psicografias, os cientistas aplicaram exames nos médiuns enquanto eles escreviam textos sem estar em estado de transe.

Experiência — A redução da atividade no lobo frontal ocorreu em níveis diferentes nos participantes. Eles foram separados entre médiuns experientes e iniciantes, sendo que o tempo de exercício da atividade variava de 5 a 47 anos. Para os noviços, a atividade no lobo posterior foi consideravelmente mais intensa. De acordo com os pesquisadores, isso pode indicar um maior esforço para tentar atingir com sucesso o estado de transe.

Outra questão levantada pela pesquisa é a complexidade dos textos produzidos. Uma análise mostrou que o conteúdo das cartas psicografadas era mais complexo do que as redigidas para outros fins. "Particularmente, os médiuns mais experientes produziram um material mais complexo, o que na teoria deveria requerer mais atividade nos lobos temporal e frontal. Mas este não foi o caso", escrevem os estudiosos. O conteúdo das cartas psicografadas, por exemplo, envolvia princípios éticos e abordava questões de espiritualidade e ciência.

Uma das hipóteses para esse fenômeno, segundo os pesquisadores, é que, ao reduzir a atividade do lobo frontal, outras partes do cérebro sejam acionadas, aumentando o nível de complexidade. "Enquanto as razões exatas para isso são ainda desconhecidas, nosso estudo sugere que há uma correlação neurofisiológica envolvida", afirma Newberg.

Essa correlação, no entanto, não é, absolutamente, um indicativo de uma suposta conexão com o mundo espiritual, ou algo do gênero. O mesmo fenômeno observado no cérebro dos médiuns ocorre com o cérebro de pianistas, por exemplo. Enquanto eles estão aprendendo a tocar e é preciso se concentrar em cada nota musical, o cérebro é ativado. Mas às medida que se tornam experts e tocar não requer mais tanta concentração, o cérebro não produz tanta atividade. "Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica", diz Newberg.

17/11/2012 08:12 - Fonte: Vejaoline

Cientistas tentam provar existência da alma

Segundo dois cientistas, depois que a pessoa morre a informação quântica dentro de estruturas cerebrais não é destruída

O médico americano Stuart Hamerroff e o físico britânico Sir Roger Penrose afirmaram que podem provar cientificamente a existência da alma.
Em entrevista ao Daily Mail, eles explicam a teoria quântica da consciência, que revela que as almas estão contidas dentro de estruturas chamadas de microtúbulos, os quais vivem dentro de nossas células cerebrais.
Segundo a publicação, a ideia se origina da noção de que o cérebro seja um computador biológico, com 100 bilhões de neurônios, que agem como redes de informação. A teoria foi levantada em 1996 e, desde então, os cientistas estudam a possibilidade.
Os dois alegam que as experiências da consciência são resultado dos efeitos da gravidade quântica dentro dos microtúbulos.

Experiência
Em uma EQM (Experiência de Quase-Morte), os microtúbulos perdem seu estado quântico, mas a informação dentro deles não é destruída. É como se "a alma não morresse, voltasse ao universo".
Hameroff explicou a teoria em um documentário narrado por Morgan Freeman, chamado “Through the Wormhole” (Através do Buraco de Minhoca), que foi levado ao ar recentemente pelo Science Channel, nos Estados Unidos.
"Vamos dizer que o coração pare de bater, o sangue pare de fluir, os microtúbulos percam seu estado quântico. A informação quântica dentro dos microtúbulos não é destruída; ela não pode ser destruída; ela simplesmente é distribuída e dissipada pelo universo“, disse o cientista.
Segundo ele, "se o paciente é ressuscitado, esta informação quântica pode voltar para os microtúbulos e o paciente passa por uma EQM".

Fonte: site UOL

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CURTA NOSSOS LIVROS NO FACEBOOK

Acabamos de criar páginas no facebook para os nossos livros já publicados pela editora Boa Nova. A idéia de criar esse espaço é permitir opiniões e debates sobre as respectivas obras literárias, portanto agora você pode curtir as obras “NAS BRUMAS DA MENTE”, “DO SÉCULO DAS LUZES” E “INFÂNCIA E MEDIUNIDADE” e se manter atuzalizado sobre as nossas novidades.

Para curtir basta clicar sobre os títulos dos livros nesse texto.

sábado, 10 de novembro de 2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

ENTREVISTA “INFÂNCIA E MEDIUNIDADE”

Entrevista concedida a Editora Boa Nova, Catanduva-SP por ocasião do lançamento da obra “Infância e Mediunidade”.

P. A mediunidade na infância é um tema delicado. Já havia passado por sua cabeça tratar do assunto? Como foi psicografar essa obra?

R. A mediunidade na infância é um tema que se torna complicado devido a falta de informação, desde que tenhamos conhecimento do tema e saibamos usar o bom senso para nortear a compreensão do mesmo deixa de ser algo complicado. Eu, particularmente, sentia necessidade de organizar as muitas idéias esparsas que existiam sobre essa questão. Desde a infância fui alvo de manifestações mediúnicas, vivi a experiência de buscar a compreensão do que acontecia comigo e apesar de me deparar com o Espiritismo as respostas não eram precisas nem tão pouco pautadas por argumentos racionais. Esse, creio, o grande problema quando tratamos da mediunidade na infância, a falta de informação, o pouco interesse do trabalhador do centro espírita de aliar os conceitos espíritas com o conhecimento desenvolvido no meio acadêmico. Infelizmente, ainda existe muita superstição no movimento espírita.

Nessa trajetória de autoconhecimento que fui levado a fazer para compreender o que acontecia comigo fui aliando estudo e experiências pessoais que os espíritos acabaram utilizando para organizar a obra "Infância e Mediunidade". O livro não pretende ser taxativo e responder todas as questões, porém dividir nossa experiência certamente poderá ser útil a outras pessoas que vivem situação semelhante. Quem frequenta ou trabalha em um centro espírita sabe como são comuns casos de crianças apresentando manifestações mediúnicas.

"Infância e Mediunidade" foi o primeiro livro que psicografei após dois anos de treinamento mediúnico. Lembro que na época escrevia tudo a mão para depois digitar. Até mesmo por uma questão de aprendizado essa obra ficou esperando o momento mais oportuno para ser publicada.

Publicado 2012

P. Depois de concluído, o livro passou pela análise de psiquiatras especializados em infância. Qual a importância desse trabalho para os leitores?

R. É verdade, o livro foi encaminhado a um neuropediatra da associação médico espírita, através da solicitação que fiz a Dra. Marlene Nobre. Sou muito grato ao movimento médico-espírita pelo vies científico que procuram trabalhar. Essa forma de compreender o Espiritismo se aproxima muito do modo particular que tento encarar a Doutrina Espírita. Sou apenas o intermediário das obras que psicografo, entretanto, todo médium tem responsabilidades sobre as obras que escreve. Não seria responsável da minha parte incentivar a publicação de uma obra que não atendesse os princípios básicos do Espiritismo, marchar ao lado da ciência. Se não possuía condições de avaliar um capítulo um pouco mais técnico que o livro apresentava é mais do que natural solicitar o auxílio de alguém que o possa fazê-lo. Enquanto médiuns somos responsáveis pelo que escrevemos, e não devemos alimentar a superstição ou idéias que não estejam de acordo com a lógica e o bom senso.

Nossa intenção, como comentei anteriormente é incentivar uma reflexão mais aprofundada sobre o tema, oferecendo subsídios para que o leitor chegue a suas próprias conclusões. Devemos aprender a exercitar nossa capacidade de pensar e não mais aceitar a opinião dos outros como verdades absolutas. No meio religioso isso é muito comum, os médiuns carregam uma aura mística que faz com que muitas pessoas os vejam como óraculos infalíveis e inquestionáveis, mas a realidade é bem diferente disso. Quem sabe lendo "Infância e mediunidade" os leitores não fiquem apenas informados, mas também se sintam estimulados a pensar dessa forma.

P. Foi seu primeiro trabalho com François Rabelais?

R. Exatamente, foi a primeira vez que ouvi falar em François Rabelais. Na verdade ele somente se apresentou ao final do livro, pois a obra foi toda escrita sem que eu conhecesse o autor. Em seguida a essa obra ele emendou a psicografia do livro "Nas Brumas da Mente", que foi publicado pela Editora Boa Nova em 2008.

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Rabelais tem uma forma toda particular de trabalhar, que exige muito de mim em termos de estudos e de meu guia espiritual na supervisão do trabalho. Acontece que essa forma de trabalhar, que é muito particular a cada espírito, me faz identíficá-los com mais segurança. Pois, principalmente no início a desconfiança na hora de escrever mediunicamente é natural e saudável. A confiança excessiva em nossa capacidade individual não é boa conselheira, um pouco de dúvida nos mantém com os pés no chão.

P. Já tem novos projetos em andamento?

R. Estamos sempre com projetos em andamento. Esses últimos anos houve uma pequena desacelerada nos trabalhos literários, temos algumas obras em curso, destacando um romance que deve dar contuidade a obra "Do Século das Luzes" que saiu em 2010, porém nossa concentração se voltou um pouco mais para os blogs que mantemos (eu e os amigos espirituais) e nossa atividade de incentivo ao movimento espírita em idioma russo, que toma muito tempo, mas vem rendendo bons frutos.

DO SÉCULO DAS LUZES CAPA

Esperamos que em breve possamos estar apresentando nova obra literária. Entretanto, mais importante que a quantidade é a qualidade das obras de que somos responsáveis.

Спиритизм в России 2011TEXTOS SELECIONADOS

Obs. As duas obras acima estão disponibilizadas gratuitamente no blog para download.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CRIANÇAS QUE FALAM COM ESPÍRITOS

Reportagem antiga da Revista Isto É de 2007 que vem no embalo de nosso novo livro “INFÂNCIA E MEDIUNIDADE”.
Mediunidade infantil


Diana embalava o filho em frente a uma parede repleta de fotos na casa de sua mãe,em Brasília. Uma delas, envelhecida pelo tempo, chamou a atenção do pequeno Roberto, então com pouco mais de um ano. O garoto apontou a jovem que aparecia no retrato: “Vovó.” A mãe achou estranho. “Sim, esta era a minha avó, sua bisa”, explicou. E perguntou como ele adivinhara, já que ninguém havia mostrado aquela imagem ao menino.
Roberto apenas tocou o colo da moça no retrato. “Dodói”, disse. Na foto, nenhum machucado aparente. O assombro tomou conta da sala quando Liana se recordou que a avó, já idosa, faleceu em decorrência de um câncer de mama. “Meu filho sabia daquilo sem que ninguém tivesse lhe contado”, resume o pai, Ricardo Movits. Ninguém deste mundo, é bom ressaltar.

Antes de tachar a história do menino Roberto de mentira, fantasia ou maluquice, vale lembrar que Chico Xavier, o maior médium brasileiro, teve sua primeira experiência mediúnica aos cinco anos, quando sua mãe faleceu e, em espírito, passou a visitá-lo.
Roberto, hoje com quatro anos, também diz receber a visita de parentes falecidos. E de modo assíduo. Contou que a avó freqüenta sua casa para lhe ensinar coisas sobre a vida e a morte. “Ela disse que as pessoas que morrem viram anjinhos e depois voltam a ser bebês”, afirma. Em outra ocasião, Roberto surpreendeu o pai ao comentar que o avô havia morrido porque fumava demais. “Entrou muita fumaça no peito dele”, completou.
Essas supostas habilidades do menino poderiam ser explicadas por meio da mediunidade. Estudada por religiosos, psiquiatras e até neurologistas, a mediunidade é a capacidade de ver e ouvir espíritos ou realizar fenômenos paranormais – como incorporação e clarividência – por intermédio de agentes externos. Ou seja, de entidades espirituais que utilizam o corpo do médium como veículo para se manifestar.

A comunicação com amigos invisíveis aos olhos dos pais costuma ser encarada como mera fantasia. “Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente”, considera a psicanalista Ana Maria Sigal, coordenadora do grupo de trabalho em psicanálise com crianças do Instituto Sedes Sapientiae. “Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte”, acrescenta Ana Maria.
A interpretação é a mesma da maioria dos pediatras. Presidente do Instituto da Família, que estuda as relações familiares, o médico Leonardo Posternak afirma que esse tipo de fantasia permite à garotada chamar atenção. Segundo ele, as crianças percebem se os pais demonstram admiração por seu suposto dom. Ou se aproveitam do carinho especial recebido quando os pais desconfiam que o filho tem algum distúrbio psíquico.

Mas e quando surgem fatos capazes de assombrar os mais céticos, como o pequeno subitamente falar outra língua? “É importante que sejamos humildes para admitir que muita coisa ainda escapa à medicina cartesiana. Em vez de dizer aos pais que o filho não tem nada ou que os sintomas vão passar, seria mais honesto dizer que a medicina vigente não é capaz de diagnosticar o que se passa com ele”, afirma Posternak.
No vácuo deixado pela medicina, avançam cada vez mais as explicações alternativas que conciliam ciência e transcendência. Se uma criança descreve e dá nome a um amigo imaginário e a família descobre, ao investigar, que a descrição corresponde à de uma pessoa de verdade, que habitou a casa no passado, a linha entre ficção e realidade desaparece. É o que assegura Reginaldo Hiraoka, coordenador do curso de parapsicologia das Faculdades Integradas “Espírita”, a única do gênero no Brasil, em Curitiba. “O mesmo ocorre quando crianças afirmam se lembrar de vidas passadas e citam episódios verídicos sem jamais terem ouvido algo a respeito”, acrescenta.
Mas nem sempre a convivência com o sobrenatural é tranqüila. Às vezes, os amiguinhos imaginários são substituídos por monstros que atrapalham o sono dos pequenos e os tornam arredios, agressivos ou profundamente tímidos. Como no filme Sexto sentido, de Night Shyamalan, crianças se dizem assombradas por imagens de espíritos que vagam com ferimentos ou fraturas expostas, exatamente como estavam quando morreram.

Segundo a doutrina espírita, isso acontece quando os espíritos desencarnados não conseguem se desprender do plano físico, seja por não terem se dado conta da morte, seja por não a aceitarem. Também é possível que um espírito persiga uma criança por ter sido ligado a ela em uma vida pregressa. “Imagine se seu bebê foi uma pessoa má na encarnação anterior e prejudicou alguém que, agora, se sente no direito de atrapalhar seu caminho”, cogita a autora do livro Mediunidade em crianças, Agnes Henriques Leal. Conforme a tese espírita, é possível que esse filho sofra horrores com a influência de seres assustadores.


Há muitos psiquiatras adeptos do espiritismo que atendem crianças e adultos atormentados por fenômenos inexplicáveis. Um deles é Sérgio Felipe de Oliveira, diretor da Associação Médico-Espírita de São Paulo e autor da tese de que a mediunidade nada mais é do que uma atividade sensorial – como a visão e o olfato – capaz de captar estímulos do mundo extrafísico. O órgão responsável pela mediunidade, diz Oliveira, é a glândula pineal, localizada no cérebro, que controla também o ritmo de crescimento e, na adolescência, avisa a hora de dar início à liberação dos hormônios sexuais.
Mesmo que não veja ou ouça espíritos desencarnados, é a mediunidade que faz com que uma criança seja capaz de sentir se um ambiente está carregado e a faz chorar quando um estranho com energias ruins a pega no colo. Em sua clínica, Oliveira não descarta o uso de medicamentos, mas não tem dúvida dos benefícios da atividade espiritual, prescrita por ele como terapia complementar. Oliveira diz que, antes de se afirmar que uma criança está sob influência de um espírito, é preciso descartar as hipóteses de fantasia e de distúrbios psíquicos.
A primeira etapa é entrevistar o paciente em busca de elementos que não poderiam ser ditos por ele. “É difícil diagnosticar como fantasiosa uma criança de três anos que se põe a analisar quadros de Botticelli ou a conversar em francês sem nunca ter estudado o idioma”, exemplifica. Finalmente, exames neurológicos são feitos para se verificar se a atividade no cérebro é equivalente à registrada em convulsões ou surtos de epilepsia. Normalmente, a reação é outra.

No Livro dos médiuns, Allan Kardec, codificador da doutrina, avisa que a mediunidade não deve ser estimulada em crianças, o que pode ser perigoso, já que os organismos delicados das crianças sofreriam grandes abalos. “É de se desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes”, escreveu. Por esse motivo, em geral os pais são orientados a não incentivar os filhos a exercê-la.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

LITERATURA ESPÍRITA

Todas as vezes que abrimos um livro adentramos na construção mental de uma inteligência encarnada. Na medida em que escreve as frases dispostas em um texto o autor imprime nelas uma força mental, mais ou menos vigorosa, que fornece como que uma vida momentânea a sua criação. Se o autor apresentar mediunidade ostensiva, ao ponto de perceber a presença de outros autores desencarnados ao seu lado auxiliando na construção do texto essas criações mentais tornam-se ainda mais vigorosas.

Portanto, quando lemos essas obras e com elas sintonizamos, estamos nos contagiando pelas emoções e sentimentos que foram mentalmente impressos em cada palavra. Isto é de fundamental importância para que saibamos compreender o papel da literatura espírita.

Atualmente existe um frenesi mercadológico e muito apelo midiático por detrás das vendas de livros, as obras não são mais adquiridas por sua qualidade em si, pesando nessa escolha a fama do autor, o tema sensacionalista que nos envolva pela curiosidade ou o brilho da capa e seus adereços coloridos. A produção de um livro não é ruim em si, só que essa está longe de ser a literatura espírita pela qual os espíritos tanto trabalharam para consolidar. Uma obra deve ser avaliada pelas sensações que desperta, que sendo considerada espírita, deve ser de aspecto positivo.

Um livro que ao final nos deixe angustiado não pode ser considerado uma boa literatura, de angustias já bastam as dificuldades oriundas de nossas limitações para compreender as situações do cotidiano. Se o livro for instrutivo deve fazê-lo inspirando o bem e a vontade de aprender mais ou fazer algo de útil, seja em benefício do progresso próprio ou de nosso meio social. Se folheamos um romance que ele desperte em nós o desejo de aprender e nos aponte um exemplo de superação pessoal onde possamos renovar nossas forças para que também sejamos capazes de nos superar.

É preciso que não apenas os leitores, mas as editoras tenham atenção com aquilo que publicam, primando pela qualidade ao invés da quantidade. E o que dizer dos médiuns psicógrafos? Autores que participam sim dos projetos literários e que não podem se esconder de suas responsabilidades com aquilo que escrevem. É preciso se qualificar, refletir sobre os objetivos da obra que ajuda a produzir, assim como as sensações que esses textos podem produzir em um leitor. Essas são questões fundamentais. É preferível nada publicar do que entregar a outras pessoas para leitura material de qualidade duvidosa.

Inspirar a confusão com conceitos obtusos ou apresentar panoramas sombrios para impor medo objetivando mudar a conduta alheia não pode ser enquadrado no contexto daquilo que acreditamos ser literatura espírita. Tratar do mundo dos espíritos ou contar com o auxílio mediúnico para produzir um livro não o faz necessariamente espírita. Para ser literatura espírita, além de esclarecer e motivar é preciso falar ao coração, sustentando os caídos e estimular esperança e coragem aqueles que se encontram abatidos pelas adversidades. Mesmo um livro científico pode contribuir nesse sentido.

Entretanto, é compreensível que estejamos longe de uma literatura mais qualificada, pois nós mesmos sofremos de imensas limitações. Porém, isso não nos impede de querer melhorar e de se esforçar nesse sentido.

Ler um livro é abrir a porta da alma para as criações mentais alheias. Por isso que aprendamos a selecionar melhor a quem daremos essa autorização de adentar nossa intimidade.

sábado, 6 de outubro de 2012

INFÂNCIA E MEDIUNIDADE: RESUMO DA OBRA

Capa

O livro faz um relato romanceado da rotina de uma família de classe média, onde o menino, filho único, sofre pela falta de compreensão dos pais dos fenômenos de ordem mediúnica que se vêem envolvidos. Vê alterada sua rotina escolar, a relação com amigos e com os pais, além de imensos problemas de ordem emocional.

Acompanhando outros casos não menos complexos, mas ainda seguindo o formato de uma narrativa romanceada, François nos demonstra como o passado atua sobre a vida das crianças. Não se limitando ao contexto familiar, ele demonstra ainda que a convivência como os espíritos invade o cotidiano, adentrando o ambiente escolar e as demais atividades das crianças. Evita fazer sensacionalismo com esses relatos, apontando a naturalidade com que a convivência diária entre encarnados e desencarnados acontece, quer acreditemos nisso ou não.

Não deixa de relatar intrincados dramas do passado e seus desdobramentos na espiritualidade, traz-nos relatos de atividades mediúnicas de auxílio, bem como a situação de algumas crianças no mundo dos espíritos. Bastante cuidadoso François faz ainda uma reflexão sobre TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), levantando algumas hipóteses com as quais trabalha. Destaca sempre a importância do exemplo e o papel da educação dentro do lar no desenvolvimento infantil, afirmando que todos temos nossas responsabilidades se queremos contribuir para o progresso geral.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

LANÇAMENTO: INFÂNCIA E MEDIUNIDADE

 

Cartaz

LANÇAMENTO: INFÂNCIA E MEDIUNIDADE

 

INFÂNCIA E MEDIUNIDADE

AUTOR: Rafael de Figueiredo (espírito FRANÇOIS RABELAIS)

224 PÁGINAS

 

A editora BOA NOVA acabou de me confirmar que o livro “INFÂNCIA E MEDIUNIDADE” foi colocado a disposição dos leitores essa manhã. É possível encontrar algumas outras informações no site http://www.boanova.org.br/77396-Infancia+e+Mediunidade.htm

Assim que possível volto a postar mais detalhes sobre a obra.

sábado, 8 de setembro de 2012

UMA VISÃO DE PAULO I

O czar Paulo l, que não era senão o grão-duque Paulo, se achava em Bruxelas, numa reunião de alguns amigos, onde falavam de fenômenos considerados como sobrenaturais, contou o fato seguinte (Extraído do Grand Journal de 3 de março de 1866, e tirado de uma obra do Sr. Hortensius de Saint Albin, intitulada: O Culto de Satã.):

"Eu estava, uma tarde, ou antes, uma noite, nas ruas de São Petersburgo, com

Kourakin e dois criados. Tínhamos ficado muito tempo a conversar e a fumar, e nos veio a ideia de sairmos do palácio, incógnitos, para ver a cidade ao clarão da lua. Não fazia frio, os dias se alongavam; era um desses momentos mais doces de nossa primavera, tão pálido em comparação com os do Sul. Estávamos alegres; não pensávamos em nada de religioso nem mesmo de sério, e Kourakin me recitava mil gracejos sobre os transeuntes muito raros que encontrávamos. Eu caminhava à frente; uma de nossas pessoas me precedia, no entanto; Kourakin ficava alguns passos atrás, e o outro doméstico me seguiam pouco mais longe. A lua estava clara, ter-se-ia podido ler uma carta; também as sombras, por oposição, eram longas e espessas.

"Na volta de uma rua, no vão de uma porta, percebi um homem grande e magro, envolvido num manto, como um Espanhol, com um chapéu militar muito rebaixado sobre seus olhos. Ele parecia esperar, e desde que passamos diante dele, saiu de seu retiro e se pôs à minha esquerda, sem dizer uma palavra, sem fazer um gesto. Era impossível distinguir seus traços: somente seus passos, batendo nas lajes, produziam um som estranho, semelhante ao de uma pedra que bate em outra. Primeiro, fiquei admirado desse choque; depois, pareceu-me que todo o lado que ele tocava quase se resfriava pouco a pouco. Senti um frio glacial penetrar meus membros, e, voltando-me para Kourakin, disse-lhe:

"Eis uma singular companhia que temos aí!

- Qual companhia? perguntou ele.

- Mas, aqui caminha à minha esquerda e faz bastante barulho, me parece."

"Kourakin abriu os olhos espantado, e assegurou-me que à minha esquerda não via ninguém.

- Como! tu não vês à minha esquerda um homem com manta que está entre a parede e mim?

-Vossa alteza mesma toca a parede, e não há lugar para ninguém entre a parede e vós."

"Alonguei um pouco o braço; com efeito, senti a pedra. No entanto, o homem estava lá, sempre caminhando desse mesmo passo de martelo que se regulava sobre o meu. Então, examinei-o atentamente, e vi brilhar sob seu chapéu, de forma singular, o olhar mais cintilante que jamais encontrei. Esse olho me olhava, me fascinava; não podia fugir-lhe ao raio de luz. Ah! disse a Kourakin, não sei o que sinto, mas é estranho!

"Eu tremia, não de medo, mas de frio. Sentia-me pouco a pouco ganhar até no

coração por uma impressão que nada me pôde explicar. Meu sangue congelou em minhas veias. De repente uma voz profunda e melancólica saiu desse manto que escondia sua boca e chamou-me pelo nome: "Paulo!"

Respondi maquinalmente, levado não sei por que força: "Que queres tu?"

"- Paulo!" repetiu ele. - E esta vez o acento era mais afetuoso e mais triste ainda. Não repliquei nada, esperei, ele chamou-me de novo em seguida se deteve sem mais nada.

Fui constrangido a fazê-lo também. "Paulo! Pobre Paulo! pobre príncipe!"

"Voltei-me para Kourakin, que se deteve também.

"Ouviste? Disse-lhe.

- Nada absolutamente, meu senhor; e vós?

" Quanto a mim, eu ouvi; o lamento ressoa ainda em meu ouvido. Fiz um esforço imenso, e perguntei a esse ser misterioso quem era e o que queria.

"Pobre Paulo! quem sou? Sou aquele que se interessa por ti. O que quero? Quero que não te apegues muito a este mundo, porque aí não ficarás por muito tempo. Vive como justo, se desejas morrer em paz; e não despreze o remorso, é o suplício mais pungente das grandes almas."

"Ele retomou seu caminho, olhando-me sempre com esse olhar que parecia se

destacar de sua testa, e do mesmo modo que fui forçado a deter-me com ele, fui forçado a caminhar com ele. Não me falou mais e não senti mais o desejo de dirigir-lhe a palavra. Eu o seguia, porque era ele quem dirigia a caminhada, e esse curso durou mais de uma hora ainda, em silêncio, sem que eu pudesse dizer por onde tinha passado. Kourakin e os lacaios não lembravam disso. Vi-o sorrir: ele acreditava ainda que eu tinha sonhado tudo isso.

"Enfim, nos aproximamos da Grande Praça, entre a ponte da Neva e o Palácio dos Senadores. O homem ia direto para um ponto dessa praça, onde o segui, bem entendido, e lá se deteve ainda.

"Paulo, adeus. Tu me reverás aqui e em outra parte ainda."

Depois, como se fosse tocado, seu chapéu se levantou levemente sozinho; eu distingui então muito facilmente seu rosto. Apesar de mim, recuei: era o olhar de águia, era afronte bronzeada, o sorriso severo de meu avô Pedro o Grande. Antes que saísse de minha surpresa, de meu terror, tinha desaparecido.

"Foi nessa mesma praça que a imperatriz levantou o célebre monumento que logo faria a admiração de toda a Europa, e que representa o czar Pedro a cavalo. Um imenso bloco de granito é a base dessa estátua. E não fui eu quem designou à minha mãe esse lugar, escolhido ou antes adivinhado antecipadamente pelo fantasma. E confesso que ali encontrando essa estátua, não sei que sentimento se apoderou de mim. Tinha medo de ter medo, apesar do príncipe Kourakin, que quer me persuadir de que sonhei todo desperto passeando pelas ruas.

Lembro-me do menor detalhe dessa visão, porque se ela era uma, persisto em sustentá-la. Parece-me que estou ali ainda. Retornei ao palácio, cansado como se tivesse feito uma longa caminhada e literalmente gelado do lado esquerdo. Foram-me necessárias várias horas para me aquecer num leito ardente e sob os cobertores."

O grão-duque Paulo lamentou mais tarde ter falado dessa aventura, e procurou

colocá-la à conta de gracejo, mas as preocupações que ela lhe causou fizeram pensar que tinha alguma coisa de sério.

Tendo o fato sido lido na Sociedade de Paris, mas sem intenção de fazer qualquer pergunta a esse respeito, um dos médiuns obteve espontaneamente e sem evocação a comunicação seguinte:

(Sociedade de Paris, 9 de março de 1866. - Médium, Sr. Morin.)

Na fase nova em que entrastes com a chave que vos deu o Espiritismo, ou revelação dos Espíritos, tudo deve se explicar, ao menos o que estais aptos a

compreender. A existência da mediunidade vidente foi a primeira de todas as faculdades dadas ao homem para se corresponder com o mundo invisível, por causa de tantos fatos que permaneceram até hoje ainda sem explicação racional. Fazei, com efeito, um retorno sobre as diferentes épocas da Humanidade, e observai com atenção todas as tradições que chegaram até vós, e por toda a parte, naqueles que vos precederam, encontrareis seres que estiveram, pela visão, em relação com o mundo dos Espíritos.

De todos os tempos, entre todos os povos, as crenças religiosas se estabeleceram sobre as revelações de visionários ou médiuns videntes.

Os homens, são muito pequenos por si mesmos, foram sempre assistidos por

aqueles invisíveis que os haviam precedido na erraticidade, e que, obedecendo à lei de reciprocidade universal, vinham lhes trazer, por comunicações frequentemente inconscientes, os conhecimentos adquiridos por eles, e traçar-lhes a conduta a seguir para descobrir a verdade.

A primeira das faculdades mediúnicas, eu o disse, foi a visão; quantos adversários encontrou entre os interessados de todos os tempos! Mas não seria preciso induzir de minha linguagem que todas as visões são resultado de comunicações reais; muitas são devidas à alucinação de cérebros enfraquecidos ou resultado de um complô urdido para servir um cálculo ou satisfazer um orgulho.

Crede-me, o médium vidente é de todos o mais impressionável; o que viu se grava melhor no espírito. Quando vosso grão-duque (Vários Russos assitiam à sessão na qual essa comunicação foi dada; sem dúvida, foi o que motivou a expressão: Vosso grão-duque.), fanfarrão e vão como a maioria daqueles de sua raça, viu seu avô lhe aparecer, porque era bem uma visão, que tinha sua razão de ser na missão que Pedro, O Grande, tinha aceito em favor de seu neto, e que consistia em conduzi-lo e inspirá-lo, desde esse instante, a mediunidade no duque foi permanente, e só o medo do ridículo o impediu de contar todas as suas visões aos seus amigos.

A mediunidade vidente não era a única que ele possuía; tinha também a intuição e a audição; mas, muito imbuído dos princípios de sua primeira educação, se recusou aproveitar as sábias advertências que seus guias lhe davam. Foi pela audição que ele teve a revelação de seu fim trágico. Depois desse tempo, seu Espírito progrediu muito; hoje ele não teme mais o ridículo crendo na visão, é porque ele vem vos dizer:

"Graças aos meus caros instrutores espirituais e à observação dos fatos, creio na manifestação dos Espíritos, na sobrevivência da alma, na eterna onipotência de Deus, no progresso constante para o bem dos homens e dos povos, e me sinto muito honrado que uma de minhas puerilidades tenha dado lugar a uma dissertação em que tenho tudo a ganhar e vós não tendes nada a perder.

"PAULO."

Revista Espírita, abril de 1866.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

SINAIS DE MUDANÇA

Existem períodos na vida que são marcados pelo desânimo, pela desilusão, em que a tristeza nos contagia. Quando analisamos esses períodos, pelos quais todos nós passamos, buscamos razões para o abatimento, quase sempre culpando as situações ao nosso redor, na família, no trabalho ou as pessoas com quem convivemos.

Na realidade toda mudança fundamental é interna, e são justamente as mudanças que acontencem dentro de nós que são as mais complicadas de perceber e compreender. Quando as coisas passam a nós incomodar demais no exterior é porque algo do lado de dentro já se alterou. O estresse que nos deixa sem paciência é um sinal evidente de que precisamos fazer uma alteração na rotina diária, alteração no modo de encarar os desafios do mundo, por exemplo.

A insatisfação é um sintoma externo de uma mudança interna que ainda não conseguimos perceber conscientemente. As mesmas desilusões e dificuldades que nos abatem no primeiro momento transformam-se em mola propulsora para a obtenção de um novo estágio, crescimento profissional com a mudança de trabalho, amadurecimento psicológico ou a coragem de assumir novas responsabilidades.

Mesmo a morte pode ser vista sob esse ponto de vista, pois a interrupção da vida biológica nada mais é do que uma mudança de status, quase sempre nos lançando ao confronto de verdades que preferíamos não ver ou que não éramos capazes de compreender. Não existe mal que perdure para sempre. O desânimo e o abatimento são momentos onde a individualidade se retrai buscando forças para recomeçar, repensa suas escolhas e se renova. Uma oportunidade de mudar de rumo.

Amparados nas boas intenções e fazendo uso da prece essas situações devem ser encaradas como oportunidades de amadurecimento e não mais como uma zona psicológica que precisa ser interrompida a todo custo. Aprender a lidar com a frustração é apenas uma etapa de amadurecimento. Sentir-se triste é normal, não precisamos nos amedontrar com isso. Amadurecer faz parte do processo que é estar vivo.

Frei Felipe.

25/07/2012

sábado, 14 de julho de 2012

Baixar “TEXTOS SELECIONADOS I”

Alguns leitores me comentaram que não conseguiram baixar o livro através do blog. Acabei de testar e está funcionando normalmente o link: http://www.4shared.com/get/QG_klrR9/TEXTOS_SELECIONADOS_I.html

Talvez o pessoal tenha tinha alguma dificuldade na utilização do link, mas basta clicar em “download now” e aguardar os 20 segundos necessários, depois clicar novamente em “download file now” e escolher onde salvar o arquivo. Baixei com um bom anti-vírus e o arquivo está limpo e em boas condições para quem quiser tentar.

Atenciosamente,

Rafael.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O DESTINO

O Destino é normalmente concebido como uma sucessão de acontecimentos inevitáveis que seguem uma ordem cósmica. Essa crença manifestava-se na mitologia grega, por exemplo, com as MOIRAS e o tear. O fatalismo defendido por diferentes filósofos através dos tempos afirma que existe uma história a ser cumprida e esses fatos são irrevogáveis, independentemente de nossa vontade.

Essa visão reforça um péssimo comportamento humano, o hábito enraizado que temos de nos acomodar. Crer que o futuro está escrito de forma inalterável é um estímulo a falta de vontade em quer mudá-lo. Desde os tempos mais remotos, apegada a superstição e ao comodismo, a humanidade tem se válido de pessoas com dons da adivinhação para buscar sondar aquilo que está oculto. Allan Kardec, tanto em O Livro dos Espíritos, quanto em O Livro dos Médiuns, foi taxativo ao desencorajar os Espíritas as questões alimentadas pela curiosidade vulgar. Entretanto, os espíritas curiosos por saber seu futuro ou passado são a maioria. Podemos compravar pelas inúmeras manifestações nesse sentido que surgem diuturnamente no movimento espírita. Falta de compreensão? Eu diria ser difícil deixar de lado nossa antiga paixão pela crença supersticiosa. Estamos aprendendo, muito devagar, mas estamos.

Afinal, é exatamente a mesma coisa que fizemos com Buda e com Jesus. Ambos inquietavam-se com o sofrimento humano e propunham uma profunda de mudança de comportamento. Se essas duas personalidades ouvissem as histórias que contamos sobre eles sequer se reconheceriam. Por exemplo, Jesus nunca foi Cristo, era apenas Jesus de Nazaré, assim como nasceu nessa cidade e não em Belém. As alterações são oriundas de influência supersticiosa da época e ocorreram após a morte do mesmo. Sempre a superstição e outros interesses mundanos. Buda afirmava convictamente que somos influênciados pelo passado, mas a vontade permanece livre. Continuamos repetindo erros, como o aluno que não consegue aprender.

Se seguissemos a orientação de Allan Kardec de avançar ao lado da ciência deixariamos de usar livros de 200 anos para afirmar questões fora de sintonia com os as comprovações de nossa época. Mais uma vez o comodismo e o velho hábito de idolatrar ícones que pediram para não ser idolatrados. Atualmente uma das teorias da física, proposta por Richard Feyman, afirma que no universo existem todas as histórias. Ou seja, é como o livro em que podemos escolher o destino do personagem principal segundo as escolhas que realizarmos. Não existiria uma opção, mas todas elas.

Até porque no fatalismo, uma vez revelado algo de nosso futuro que não poderiamos alterar sofreriamos a agonia da inexorabilidade. Uma espécie de masoquismo, saber que vamos sofrer, e ter os dias contados para que esse sofrimento nos alcance sem que nada pudessemos fazer. Pareceria uma lei divina de um Ser pautado pelo Amor?

Portanto, na ciência atual a previsão do futuro não é exata, mas estatística, trabalha com probabilidades. As descobertas científicas avançam, a própria ciência bem compreendida é uma forma de religião. Muitas vezes tem maior capacidade de nos aproximar de Deus do que as próprias religiões instituídas obsoletas em suas intransigências e preconceitos.

Vamos a um exemplo de como deveriamos entender uma revelação do futuro sob esse ponto de vista. Imaginemos que um “vidente” afirma que alguém sofrerá um grave acidente de trânsito. E isso realmente aconteceu posteriormente. Como isso é possível?

A pessoa com sensibilidade soube dessa informação por duas vias possiveis, a primeira é de um modo intuitivo, totalmente incosciente de seu verdadeiro funcionamento, a segunda foi através da orinetação espiritual. Imaginemos que um espírito familiar da pessoa que sofreu o acidente estivesse preocupado com a situação que observava, algo perfeitamente natural quando gostamos de alguém e nos preocupamos com o bem-estar dessa pessoa. O espírito desencarnado, se detentor de algum conhecimento, poderia estar ciente do passado dessa pessoa, assim como teria condições de avaliar os estado íntimo do mesmo, seus pensamentos e sentimentos. Vendo na conduta dessa pessoa o hábito de beber e dirigir, acumulado a sensação de invunerabilidade típica da juventude imatura e uma crescente agressividade, percebeu que a propabilidade de ocorrer um acidente de trânsito era eminente. E devido ao agravamento da mistura de alcool e o estado íntimo da pessoa a tendência é que a alta velocidade provocaria algo sério.

É uma previsão do futuro como estamos acostumados a supor? Estamos diante de uma realidade mais justa, onde somos influenciados pelo passado, por nosso comportamento atual e estado íntimo, mas temos condições de atenuar as consequências através de nosso esforço e vontade. Não foi uma previsão, mas uma análise séria e bem fundamentada da realidade que alguém mais maduro e consciente fez da situação em que o encarnado vivia. É como o exemplo de Allan Kardec, onde os mais experientes já estavam mais próximos do topo da montanha e olhando para trás conseguiam perceber os perigos que aguardavam aqueles que começavam a escalada, pois já haviam superado tais obstáculos.

O mesmo procedimento se daria com a previsão de doenças, que poderiam estar manifestas no períspirito, serem fruto de comportamentos de vidas anteriores ou de um comportamento atual, mas que foram geradas por nós e não por um determinismo cego que tornaria Deus uma criatura tirânica. A previsão de guerras é fruto da análise geopolítica de espíritos mais experientes que conseguem relacionar o passado e o estado psicológico coletivo das comunidades envolvidas. Ou ainda da previsão de catastrofes naturais com os “metereologistas das espiritualidade”. Deixemos de lado a superstição e o interesse pela revelação. Nos preocupemos com a mensagem esquecida das grandes personalidades históricas, que sempre pregaram uma grande transformação de comportamento para o alívio do sofrimento gerado por nós mesmos.

 

François e Frei Felipe

25/06/2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O ESPIRITISMO SEGUNDO OS ESPÍRITAS

o número de 31 de dezembro de 1865 da Revista Espírita contém o artigo seguinte:

"Espíritas e Espiritismo são duas palavras agora muito conhecidas e frequentemente empregadas, embora fossem desconhecidas há somente alguns meses. No entanto, a maioria das pessoas que se servem dessas palavras delas se perguntam o que significam exatamente, e se bem que cada um se pergunte isso, ninguém a dirige porque todos querem passar por conhecer a palavra e a charada.

"Algumas vezes no entanto, a curiosidade intriga até levar a interrogação aos lábios, e, ao vosso desejo, todos vos informam.

"Uns pretendem que o Espiritismo seja o truque do guarda-roupa dos irmãos

Davenport; outros afirmam que não é outra coisa senão a magia e a bruxaria de outrora que se quer reabilitar graças a um novo nome. Segundo as idosas de todos os quarteirões, os Espíritas têm conversas misteriosas com o diabo, com o qual preliminarmente assumiram um compromisso. Enfim, se leram os jornais, ali se aprende que os Espíritas são todos loucos, ou pelo menos as vítimas de certos charlatães chamados médiuns. Esses charlatães a eles vêm, com ou sem guarda-roupa, dar representações a quem quiser pagá-los, e, para melhor acreditar seu malabarismo, dizem operar sob a influência oculta dos Espíritos de além-túmulo.

"Eis o que aprendi nestes últimos tempos; vi o desacordo dessas respostas, resolvi, para me esclarecer, ir ver o diabo, devesse ele me levar, ou fazer-me vítima por um médium, devesse deixar-lhe minha razão. Lembrei-me, então, muito a propósito, de um amigo que supunha do espiritismo, e fui encontrá-lo, a fim de que me proporcionasse os meios de satisfazer minha curiosidade.

"Comuniquei-lhe as opiniões diferentes que tinha recolhido e lhe expus o objeto de minha visita. Mas meu amigo riu muito daquilo que chamava minha ingenuidade e deu-me mais ou menos a explicação que segue:

"O Espiritismo não é, como se crê vulgarmente, uma receita para fazer as mesas dançarem ou para executar torneios de escamoteação, e é erradamente que cada um quer nele encontrar o maravilhoso.

"O Espiritismo é uma ciência ou, dizendo melhor, uma filosofia espiritualista que ensina a moral. "Ela não é uma religião, naquilo que não tem nem dogmas, nem culto, nem sacerdotes, nem artigos de fé; é mais do que uma filosofia, porque sua doutrina é estabelecida sobre a prova certa da imortalidade da alma: é para fornecer essa prova que os Espíritas evocam os Espíritos de além-túmulo.

"Os médiuns são dotados de uma faculdade natural que os torna próprios para

servirem de intermediários aos Espíritos e produzirem com eles os fenômenos que passam por milagres ou por da prestidigitação aos olhos de quem lhes ignora a explicação. Mas a faculdade medianímica não é o privilégio exclusivo de certos indivíduos; ela é inerente à espécie humana, embora cada uma a possua em graus diferentes, ou sob diferentes formas.

"Assim, para quem conhece o Espiritismo, todas as maravilhas das quais acusam essa doutrina não são muito simplesmente senão fenômenos de ordem física, quer dizer, efeitos cuja causa reside nas leis da Natureza.

"No entanto, os Espíritos não se comunicam aos vivos como único objetivo de provar a sua existência: são eles que ditaram e desenvolvem todos os dias a filosofia espiritualista.

"Como toda filosofia, esta tem seu sistema, que consiste na revelação das leis que regem o Universo e na solução de um grande número de problemas filosóficos diante dos quais, até aqui, a Humanidade impossibilitada foi constrangida a se inclinar.

"É assim que o Espiritismo demonstra, entre outras coisas, a natureza da alma, sua desatinação, a causa de nossa existência neste mundo; ele revela o mistério da morte; dá a razão dos vícios e das virtudes do homem; diz o que é o homem, o que é o mundo, o que é o Universo; faz, enfim, o quadro da harmonia universal, etc.

"O sistema repousa em provas lógicas e irrefutáveis que têm, elas mesmas, por

árbitro de sua verdade os fatos palpáveis e a razão mais pura. Assim, em todas as teorias que expõe, age como a ciência e não avança um ponto desde que o precedente não esteja completamente certificado. Igualmente, o Espiritismo não impõe a confiança, porque não tem necessidade, para ser aceito, senão da autoridade do bom senso.

"Este sistema estabelece, nele é deduzido, como conseqüência imediata, um ensino moral.

"Esta moral não é outra que a moral cristã, a moral que está escrita no coração de todo ser humano, e ela é de todas as religiões e de todas as filosofias, por isto mesmo pertence a todos os homens. Mas, livre de todo fanatismo, de toda superstição, de todo espírito de seita ou de escola, ela resplandece em toda a sua pureza.

"É a esta pureza que ela pede toda a sua grandeza e toda a sua beleza, de sorte que é a primeira vez que a moral nos aparece revestida de um brilho tão majestoso e tão esplêndido.

"O objeto de toda moral é de ser praticada; mas esta sobretudo tem esta condição como absoluta, porque ela chama Espíritas, não aqueles que aceitam os seus preceitos, mas somente aqueles que colocam os seus preceitos em ação.

"Direi quais são as suas doutrinas? Não pretendo ensinar aqui, e o enunciado das máximas me conduziria necessariamente a desenvolvê-las.

"Direi somente que a moral espírita nos ensina a suportar a infelicidade sem

desprezá-la, a gozar da felicidade sem a ela nos prender; nos abaixa sem nos humilhar, nos eleva sem nos orgulhar; ela nos coloca acima dos interesses materiais, sem por isto marcá-los de aviltamento, porque nos ensina, ao contrário, que todas as vantagens das quais somos favorecidos são tantas f orcas que nos são confiadas e por cujo emprego somos responsáveis para com os outros e para conosco mesmos.

"Vem, então, a necessidade de especificar essa responsabilidade, as penas que são dadas à infração ao dever, e as recompensas das quais gozam aqueles que a obedeceram. Mas aí ainda, as assertivas não são tiradas senão dos fatos e podem se verificar até a perfeita convicção. "Tal é esta filosofia, onde tudo é grande, porque tudo nela é simples; onde nada é obscuro, porque nela tudo está provado; onde tudo é simpático, porque cada questão nela

interessa intimamente a cada um de nós.

"Tal é esta ciência que, projetando uma viva luz sobre as trevas da razão, desvenda, de repente, os mistérios que acreditávamos impenetráveis, e recua ao infinito o horizonte da inteligência.

'Tal é esta Doutrina que pretende tornar felizes, melhorando-os, todos aqueles que consentem em segui-la, e que abre, enfim, à Humanidade, um caminho seguro ao progresso moral.

"Tal é, enfim, a loucura da qual os Espíritas estão atacados, e a feitiçaria que

praticam."

"Assim, sorrindo, termina meu amigo, quem, a meu pedido, me deu encontro para visitarmos juntos algumas reuniões espíritas, onde as experiências se juntam ao ensinamento.

"De volta à minha casa, lembrei-me o que tinha dito, de acordo com todo o mundo, contra o Espiritismo, antes de conhecer apenas o significado desta palavra, e essa lembrança encheu-me de uma amarga confusão.

"Pensei, então, que, apesar dos desmentidos severos infligidos ao orgulho humano pelas descobertas da ciência moderna, não pensamos quase nada, nos tempos de progresso em que vivemos, em aproveitar os ensinamentos da experiência; e que estas palavras escritas por Pascal, há duzentos anos, terão ainda durante séculos uma rigorosa exatidão: "É uma doença natural ao homem crer que possui a verdade diretamente; e daí vem que está sempre disposto a negar o que lhe é incompreensível."

"A. BRIQUEL"

Allan Kardec publicou a reportagem do La Discussion, jornal hebdomanário, político e financeiro, impresso em Bruxelas, na revista espírita de fevereiro de 1866.

sábado, 26 de maio de 2012

APRESENTAÇÃO DE NOSSO 1º LIVRO EM RUSSO

 

Спиритизм в России 2011


Assim como a idéia de criar um blog espírita em russo a ideia desse livro surgiu como consequencia natural de nossas atividades. Compartilhar nossas experiência com os companheiros de ideal tem sido gratificante. Apesar das obras de Allan Kardec terem tocado o coração da sociedade imperial russa do século XIX, tendo Aleksander Aksakov e Wera Krijanovskaya como principais expoentes, o século XX apagou seus traços. O Espiritismo com o tempo sofreu transformações, a mensagem dos espíritos era clara, falava de valores universais, estimulando a fraternidade e o conhecimento.

Nossas raízes místicas e supersticiosas, assim como valores mundanos, nos fizeram distorcer os valores fundamentais dos princíos básicos da Doutrina dos Espíritos, que deveria ser o instrumento de diálogo entre a diferentes formas de compreender a vida e das religiões espalhadas pelo globo. Justamente por se interessar por questões fundamentais da natureza humana, como a sobrevivência após a morte, a esperança e alívio do sofrimento, o Espiritismo tem a força para transformar a sociedade. Devendo para tanto caminhar sempre ao lado dos enunciados científicos. A lógica e o bom senso, além da fraternidade são os principais pilares do Espiritismo e deles o mesmo não deve se afastar.

No Espiritismo não há lideres instituitos, nem tão pouco sua filosofia pretende competir com as religiões. A palavra Espiritismo tomou significado diferente ao redor do mundo, mas os princípios organizados com Allan Kardec continuam extremamente atuais e são faceis de ser compreendidos.

No anseio de fornecer material que siga os ideais que acima enumeramos estamos lançando gratuitamente os textos de nosso blog no formato digital. Apesar de existirem alguma obras espíritas em russo, não atendem a demanda constante dos leitores por mais informações e por vezes esses livros já existentes perdem-se com questões secundárias, como disputas por direitos autorais e outros interesses que não cabe a aqui enumerar.

Entretanto, eis nossa contribuição, um livro que esperamos atender ao anseio de conhecimento de nossos irmãos de idioma russo pela Doutrina dos Espíritos. Que essas páginas possam inspirar seus ideais e auxiliar em nossa eterna luta contra drama íntimos e sofrimentos coletivos. Não há palavra que defina melhor o papel do Espiritismo no mundo do que a FRATERNIDADE.

Rafael

link para download gratuito:

http://www.4shared.com/office/xo9_THXf/Спиритизм_в_России_2011.html

quarta-feira, 16 de maio de 2012

RAFAEL DE FIGUEIREDO LANÇA LIVRO DIGITAL (GRATUITO): TEXTOS SELECIONADOS – VOL. I

Foi-nos inspirada a ideia de selecionar alguns dos textos que publicamos no blog NAS BRUMAS DA MENTE e transformar-lhes em um pequeno livro. Sendo assim escolhemos e revisamos alguns dos textos publicados entre os anos de 2008 e 2010 para divulgá-los gratuitamente através de um livro digital. Essa obra estará disponível para download em nossa página www.nasbrumasdamente.blogspot.com de modo gratuito, entretanto, solicitamos aos leitores que não façam alterações nos textos nem os utilizem sem as devidas referências.

Esse projeto deve ter desdobramentos, pois pretendemos fazer essa seleção de textos periodicamente e reuni-los em outros volumes. Estamos também preparando o primeiro livro em russo a partir do nosso blog nesse idioma. Queremos tornar o Espiritismo acessível a todos, nos colocando dessa forma em oposição a cobrança de valores abusivos por obras de qualidade duvidosa. Estamos cumprindo com nossa obrigação, dividindo experiências e conhecimentos com nossos leitores, o que por si só já é motivo de imensa satisfação.

 

TEXTOS SELECIONADOS

Link para download gratuito:

http://www.4shared.com/office/QG_klrR9/TEXTOS_SELECIONADOS_I.html

Uma boa leitura a todos!

Rafael de Figueiredo
30 de abril de 2012.

domingo, 22 de abril de 2012

O ESPIRITISMO DEVE APROXIMAR AS RELIGIÕES

Allan Kardec, Revista Espírita de 1866/janeiro:

Nas reuniões espíritas, a prece predispõe ao recolhimento e à seriedade, condição indispensável, como se sabe, para as comunicações sérias. Significa dizer que devem ser transformadas em assembleias religiosas? De nenhum modo. O sentimento religioso não é sinônimo de sectário de uma religião; deve-se mesmo evitar o que poderia dar às reuniões esse último caráter. É nesse sentido que constantemente desaprovamos as preces e os símbolos litúrgicos de um culto qualquer. Não se deve esquecer que o Espiritismo tende para a aproximação das diversas comunhões; já não é raro ver nessas reuniões a confraternização dos representantes de diversos cultos, e é porque ninguém deve se arrogar a supremacia. Que cada um em seu particular ore como entender, é um direito de consciência; mas numa assembleia fundada sobre o princípio da caridade, deve-se abster de tudo o que poderia ferir suscetibilidades, e tender a manter um antagonismo que se deve ao contrário se esforçar em fazer desaparecer. As preces especiais ao Espiritismo não constituem, pois, um culto distinto, desde o instante em que elas não são impostas e cada um está livre para dizer aquelas que lhe convém; mas elas têm a vantagem de servir para todo mundo e de não ferir ninguém.

O mesmo princípio de tolerância e de respeito para com as convicções alheias nos faz dizer que toda pessoa razoável que as circunstâncias levam num templo, de um culto do qual não partilha as crenças, deve se abster de todo sinal exterior que poderia escandalizar os assistentes; ela deve, tem mesmo necessidade, de sacrificar aos usos de pura forma que não podem em nada empenhar sua consciência. Que Deus seja adorado num templo de maneira mais ou menos lógica, isto não é um motivo para ferir aqueles que acham essa maneira boa.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

NO CENTRO ESPÍRITA

Através dos estudos e observações tenho elaborado mentalmente o que até o momento tenho por um modelo ideal de centro espírita. Tenho presenciado tantos desvios, falta de orientação e misticismo que muitas vezes me pego entristecido por conseguir perceber que a história se repete, e o Espiritismo está tomando o rumo de uma religião instituída. E como toda religião instituída, tende ao engessamento e atraso com o passar do tempo. Não quero entrar na análise desses fatos, basta um pouco de observação para constatar o mesmo.

Do modo que entendo o centro espírita, ele deveria ser um núcleo de transformação moral, a instrução e a caridade seriam os instrumentos para essa transformação. Porém, não creio em Espiritismo sem falar de revolução a nível íntimo, mudança de comportamento. O Centro Espírita deveria manter o foco nessa questão e deixar de lado, fim dos tempos, crianças especiais e outras questões recorrentes que surgem com nova roupagem de tempos em tempos para a satisfação daqueles que exploram esses temas comercialmente, mas nada acrescentam no progresso individual. Não existe progresso sem trabalho.

O Centro Espírita deveria ser um local acolhedor, e para tanto, invariavelmente deveria ter proporções reduzidas, estimulando o intimismo e facilitando a relação entre os membros do grupo. É preciso empatia, a única forma de qualquer atividade social transcorrer com harmonia e alcançar resultados positivos com eficiência.

O primeiro aspecto na dinâmica de acolhimento dos frequentadores do centro deve ser uma explanação oral, sabemos que as pessoas não encontram espaço na sua vida atribulada para o estudo e a reflexão. A palestra, aula ou explanação, como queiram, deve esclarecer, fornecer subsídios para que o ouvinte sinta-se capaz de encontrar respostas em si mesmo. O Espiritismo deve sempre estimular a liberdade e jamais aguilhoar o frequentador a suas práticas e frequência obrigatória. A diferença de opinião é outra questão que precisa ser respeitada, pois se há aquele que pensa diferente é porque Deus assim o quis para que aprendêssemos uns com os outros, e, quando nosso companheiro estiver equivocado ter paciência e ser tolerante para com ele. Claro que tudo dentro do bom senso, não precisamos aceitar excentricidades e situações que sejam contrárias às questões mais básicas da Doutrina Espírita.

A palestra é o principal instrumento que temos para colocar todos os presentes em sintonia com os amigos espirituais, o simples fato do frequentador ter alguns minutos para a reflexão e a prece já age sobre ele como um bálsamo. E com isso fica desnecessário os procedimentos fluidoterápicos, vulgarmente reduzido ao “passe”. Atualmente as pessoas vão ao centro espírita para tomar um “passe”, mas não se dão conta que a palestra que os estimula ao bem é muito mais importante e que todos são atendidos naquele momento. Estranho que as pessoas consideram doentes aqueles que vão a farmácia e se automedicam mesmo sem doenças, são conhecidos como hipocondríacos, mas com relação ao tratamento fluidoterápico não pensam da mesma forma. É quase como a vitamina C, tomam, pois previne os problemas. Quando na verdade o que previne os problemas é a sanidade mental, a mudança de comportamento, substituindo vícios por hábitos mais saudáveis. Infelizmente continuamos com o velho conceito de mínimo esforço, supondo que os outros possam resolver nossos próprios problemas.

O que muitos centros chamam de desobssessão e praticado na presença do visitante poderia muito bem ser substituído por alguns minutos de leitura de textos específicos que estimulem a renovação moral, o perdão, a paciência ou a resignação, por exemplo. Tanto o frequentador em tratamento quanto o acompanhante espiritual estaria sendo preparado para um posterior diálogo com os orientadores espirituais, mas há quem prefira chamar a atenção com manifestações mediúnicas na frente de pessoas despreparadas ou adotar gestos que mais lembram os mágicos de outrora, alimentando uma falsa visão do Espiritismo com crenças supersticiosas e nada úteis.

Se uma pessoa chega no centro espírita exercitemos a caridade, emprestemos nosso ouvido, aconselhemos com responsabilidade se tivermos condições de fazê-lo. E se nos faltarem maiores possibilidades oremos por aqueles que chegam até nós pedindo ajuda. Precisamos aprender a assumir as responsabilidades de nossas palavras e orientações e não se esconder atrás da mediunidade. Óbvio que junto de nós haverá amigos desencarnados nos sustentando naquilo que tivermos necessidade, mas isso não nos exime do estudo e da dedicação, que se tem visto bastante distante no concernente a mediunidade. Não são poucos os “médiuns” que preferem fechar os olhos e dizer a primeira coisa que lhes veem a cabeça do que abrir um livro e refletir. O mais triste, é que as pessoas sem instrução veem isso como algo sobrenatural, capaz de lhes aliviar e como num passe de mágica mudar a vida de alguém. Nada na vida se consegue sem dedicação e trabalho.

Creio que os casos mais complexos podem ser levados a consulta mediúnica, efetuada com algum mecanismo de controle, afinal estamos tratando da vida das pessoas e não se pode ser leviano nessa questão. Se os espíritos indicarem tratamento fluidoterápico, através do emprego do magnetismo animal, que o façamos com propriedade. Estudemos o caso, sua patologia, a área orgânica que afeta, as reações que a enfermidade pode provocar, e tenhamos após o estudo um planejamento para atender ao tratamento do doente. Isso é Espiritismo, estudo, seriedade, dedicação e não simplesmente achismos e superstição.

É preciso libertar as pessoas da ignorância e como seremos capazes de fazer isso se continuamos nos portando nos centros espíritas como o fazíamos diante dos feiticeiros na idade média? São raros os lúcidos trabalhadores que compreendem que fazer parte do centro espírita não é ajudar os outros, mas uma oportunidade de aprendizado sem igual para nós mesmos. Os espíritos não estão preocupados com o atendimento dos desencarnados, somente nossa soberba para pensar que o que fazemos não possa ser substituído pelos espíritos com muito mais qualidade. O centro espírita é uma escola. A questão fundamental é se concentrar nos encarnados, naqueles que estão distantes de compreender que Deus existe dentro de cada um deles e que está lá, silencioso, porém ativo, aguardando o despertar da criatura humana para uma renovação de comportamento.

Provavelmente minhas ideias vão mudar com o tempo, eu vou aprender mais, me desenvolver e algumas das questões que aqui tratei ficarão, senão obsoletas, ao menos poderão ser substituídas por outras melhores. Entretanto, isso faz parte do processo de compreensão das diferenças que falávamos antes, é preciso dedicação, em tudo que façamos, para que não nos sintamos, mais tarde culpados, por ter realizado algo do modo mais simplório quando podíamos ter feito melhor.

L.

04/04/2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

OS ESPÍRITOS NÃO TEM SEXO

As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que as une nada têm de carnal, e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque são fundadas sobre uma simpatia real, e não são subordinadas às vicissitudes da matéria.

As almas se encarnam, quer dizer, revestem temporariamente um envoltório carnal semelhante para elas a um pesado invólucro do qual a morte as desembaraça. Esse envoltório material, pondo-as em relação com o mundo material, neste estado, elas concorrem para o progresso material do mundo que habitam; a atividade que são obrigadas a desdobrar, seja para a conservação da vida, seja para se proporcionarem o bem-estar, ajuda seu adiantamento intelectual e moral. A cada encarnação a alma chega mais desenvolvida; traz novas idéias e os conhecimentos adquiridos nas existências

anteriores; assim se efetua o progresso dos povos; os homens civilizados de hoje são os mesmos que viveram na Idade Média e nos tempos de barbárie, e que progrediram; aqueles que viverão nos séculos futuros serão os de hoje, mas ainda mais avançados intelectualmente e moralmente.

Os sexos não existem senão no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais; mas os Espíritos, sendo a criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, é por isto que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. Os Espíritos progridem pelo trabalho que realizam e as provas que têm que suportar, como o operário em sua arte pelo trabalho que faz. Essas provas e esses trabalhos variam segundo a sua posição social. Os Espíritos devendo progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a suportar os diferentes gêneros de provas; é por isto que renascem alternativamente como ricos ou pobres, senhores ou servidores, operários do pensamento ou da matéria.

Assim se encontra fundado, sobre as próprias leis da Natureza, o princípio da igualdade, uma vez que o grande da véspera pode ser o pequeno do dia de amanhã, e reciprocamente. Deste princípio decorre o da fraternidade, uma vez que, nas relações sociais, reencontramos antigos conhecimentos, e que no infeliz que nos estende a mão pode se encontrar um parente ou um amigo.

É no mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; tal que foi homem poderá renascer mulher, e tal que foi mulher poderá renascer homem, afim de cumprir os deveres de cada uma dessas posições, e delas suportar as provas.

A Natureza fez o sexo feminino mais frágil do que o outro, porque os deveres que lhe incumbem não exigem uma igual força muscular e seriam mesmo incompatíveis com a rudeza masculina. Nele a delicadeza das formas e a fineza das sensações são admiravelmente apropriadas aos cuidados da maternidade. Aos homens e às mulheres são, pois, dados deveres especiais, igualmente importantes na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.

O Espírito encarnado sofrendo a influência do organismo, seu caráter se modifica segundo as circunstâncias e se dobra às necessidades e aos cuidados que lhe impõem esse mesmo organismo. Essa influência não se apaga imediatamente depois da destruição do envoltório material, do mesmo modo que não se perdem instantaneamente os gostos e os hábitos terrestres; depois, pode ocorrer que o Espírito percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher do qual a marca permaneceu nele. Não é senão o que ocorre a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização que a influência da matéria se apaga completamente, e com ela o caráter dos sexos. Aqueles que se apresentam a nós como homens ou como mulheres, é para lembrar a existência na qual nós os conhecemos.

Se essa influência repercute da vida corpórea à vida espiritual, ocorre o mesmo quando o Espírito passa da vida espiritual à vida corpórea. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se for avançado, fará um homem avançado; se for atrasado, fará um homem atrasado. Mudando desexo, poderá, pois, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as tendências e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres.

Não existe, pois, diferença entre o homem e a mulher senão no organismo material que se aniquila na morte do corpo; mas quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível, ela não existe uma vez que não há duas espécies de alma; assim o quis Deus, em sua justiça, para todas as suas criaturas; dando a todas um mesmo princípio, fundou a verdadeira igualdade; a desigualdade não existe senão temporariamente no grau de adiantamento; mas todas têm o direito ao mesmo destino, ao qual cada um chega pelo seu trabalho, porque Deus nisso não favoreceu ninguém às expensas dos outros.

Allan Kardec, Revista Espírita 1866.

domingo, 25 de março de 2012

COMO ACONTECE O FENÔMENO MEDIÚNICO?

Hoje vamos tentar tratar de um tema que desperta a curiosidade de inúmeros leitores: Como acontece o fenômeno mediúnico?

Para compreender o fenômeno mediúnico antes de tudo é preciso falar sobre um elemento conhecido na literatura espírita por ECTOPLASMA. Não confundam com o Ectoplasma celular de que trata os livros de biologia. O termo ECTOPLASMA foi criado por Charles Richet, médico francês vencedor do Prêmio Nobel de medicina. Charles Richet, assim como outros conceituados cientistas estudou demoradamente os fenômenos mediúnicos, principalmente fenômenos de efeitos físicos (Materializações, transportes e deslocamento de objetos). Através de suas pesquisas descobriu que para que um fenômeno físico pudesse ser produzido pelos espíritos era necessário um elemento de ligação entre a matéria rarefeita (espiritual) e a matéria grosseira (como a conhecemos), que constatou ser produzida no organismo dos médiuns. Uma espécie de pasta gasosa, que variava em densidade e coloração de um evento a outro.

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Foi fácil compreender que os espíritos utilizavam essa substância e a manipulavam dando a ela a forma desejada ou revestindo-a sobre certos objetos que gostariam de deslocar. Pesquisas recentes sinalizam na direção de que essa substância seria um substrato residual do ciclo de Krebs durante o processo de respiração celular. Entretanto, ainda não se conseguiu uma comprovação exata nesse sentido.

O ECTOPLASMA seria, portanto, uma forma de matéria que permitiria estabelecer um elo de ligação entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos. Sabe-se que é o ECTOPLASMA que produzimos diariamente de modo imperceptível que nos permite manter a conexão com nosso próprio corpo mantendo as funções vitais. Uma vez cessada a produção do ECTOPLASMA o espírito encarnado perde a capacidade de gerir as células que mantem seu corpo físico funcionando e temos a morte orgânica.

Do ponto de vista espiritual, esse ECTOPLASMA reveste o corpo físico formando o que os místicos através dos tempos chamaram de AURA, e que o espírito André Luiz (um médico que escreveu uma coleção de obras científicas através do médium Chico Xavier, seus livros deram origem as Associações de médicos-espíritas que se espalham pelos mundo na atualidade) preferiu chamar de DUPLO ETÉRICO. Fica fácil deduzir que todo fenômeno mediúnico depende da interação entre espírito e médium através de seu DUPLO ETÉRICO.

Se o médium apresenta qualidades que o colocam na condição de um bom ouvinte ele ouvirá o que querem dizer os espíritos quando estes se envolverem em seu fluido nervoso, ou seja, no seu ECTOPLASMA. Do mesmo modo se o médium tiver maior facilidade para a escrita ele captará os pensamentos dos espíritos que se ligarem a ele através do ECTOPLASMA e colocará no papel suas idéias. Vale o mesmo para a psicofonia (fala), ou a visão. No caso da visão o espírito poderá se materializar envolvido no ECTOPLASMA do médium ou o próprio médium se deslocará de seu corpo orgânico e por conta do ECTOPLASMA conseguirá se recordar e contar o que viu.

O fenômeno mediúnico tem inúmeras variações, depende de cada um dos envolvidos e de suas condições naquele momento, mas entendendo o processo em sua base fica mais fácil compreender a forma como se processa a mediunidade. Esse tema é infindável e certamente voltaremos a falar dele em outros textos. Compreendemos que deva existir certas dificuldades em compreender o que acabamos de escrever, existe um novo vocabulário a aprender, mas essa introdução visa facilitar a compreensão de nossos amigos e, principalmente, fornecer-lhes material para que entendendo melhor o fenômeno possam se desembaraçar de falsos médium e comunicações mediúnicas inventadas.

Atenciosamente,

François

PS. Este texto foi publicado anteriormente em russo.

domingo, 18 de março de 2012

A influência dos espíritos em nossas vidas

A influência dos espíritos em nossas vidas pode se dar de modo positivo, através de sensações de ânimo ou conselhos velados transmitidos durante o sono, ou ainda, negativo, quando acontece através de uma condução de consequências desagradáveis.

A maioria das pessoas crê que a influência espiritual ocorra somente da parte de desencarnados (espíritos) sobre os encarnados, porém ela pode existir no sentido contrário. É muito comum termos notícias de espíritos que solicitam a seus familiares que parem de os chamar, pois os mesmos não estão bem e não tem possibilidades de atender-lhes os caprichos. A influência entre vivos também é notória, quantas relações amorosas podem ser chamadas de doentias.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, cuidou de classificar a influência que os espíritos podem ter sobre os médiuns, chamando de Obsessão esse processo continuado e de consequências desagradáveis.

Pois, vejamos, a obsessão simples é a influência continua que um espírito tem sobre uma pessoa. Em um caso prático podemos citar uma situação onde um mesmo espírito insista em escrever textos através da psicografia, mesmo que seus escritos não sejam agradáveis nem expressem a verdade.

A fascinação é talvez a forma de obsessão mais complexa, pois como o próprio nome o diz, a pessoa passa a se proteger de toda e qualquer crítica construtiva que lhe pudesse ajudar. Imaginemos um médium que recebendo textos sem sentido de um espírito qualquer perdesse a capacidade de avaliar com bom senso esse material. O fato de outra pessoa lhe chamar a atenção lhe atiçaria o orgulho e lhe faria deixar de ouvir essa pessoa para manter-se fiel aos seus textos, mesmo que ruins. A fascinação joga com o orgulho do médium, e usa esse mesmo mecanismo nas situações cotidianas. Quantas vez vemos filhos dando maior importância a opinião equivocada de um amigo que é uma influência negativa do que de alguém da família que somente lhe deseja o bem? É o fascinado.

Os casos mais sérios de obsessão são denominados subjugação ou possessão. É quando a pessoa é influenciada a nível físico e orgânico, tendo tolhida sua capacidade de decidir por conta própria e, por vezes, chegando mesmo a se auto agredir.

É preciso lembrar que somente atraímos para nós aquilo que cultivamos com nossas atitudes e pensamentos. Se nossas companhias espirituais são tão desagradáveis é porque precisamos mudar urgentemente nossos hábitos. A prece, o estudo, a prática da caridade, em resumo, a transformação do nosso comportamento para melhor é o remédio eficaz para esses males.

Antes de culpar esses espíritos doentes que tem suas razões para nos perseguir, talvez por questões do passado, lembremos que são apenas companheiros equivocados e que precisam ser conquistados pelo exemplo de tolerância e paciência. Não se vence o mal com o mal, mas apenas o amor tem condições de suplantá-lo.