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sexta-feira, 16 de julho de 2021

O Espiritismo e a vacinação

O Espiritismo é uma doutrina que tem sua base no amor, na fraternidade, no perdão e compreensão mútua, entretanto, a Doutrina Espírita não cria subterfúgios para minimizar a responsabilidade que nos cabe ante o esforço individual com o objetivo de progredir como indivíduos e como sociedade.
O livre arbítrio nos abre as portas para muitos argumentos e opções, mas não nos exclue da responsabilidade individual ante a convivência em sociedade. Nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro. Portanto, não podemos usar o argumento do livre arbítrio se essa escolha afeta um grupo ou um povo. É o primeiro argumento que o espiritismo levantaria na questão da vacinação.
Outro aspecto inconfundível é o conhecimento de que nossas atitudes sempre tem consequências. Não importa se alguém disse, se eu li num livro espírita ou se um médium comentou numa palestra, escolhas são sempre individuais e cada um de nós arcará com as consequências. Se eu tenho um remédio e estou doente, talvez a lei humana me permita escolhas, até recusar o tratamento. Porém, se eu piorar ou vier a desencanar obviamente terei que assumir a responsabilidade por minha escolha. Se me impuser um auto flagelo desnecessário vou arcar com as consequências disso. Escolhi passar por isso, e não poderei reclamar do resultado após o desencarne. Em uma epidemia existe o agravante da minha escolha ter vitimado alguém que não optou por sofrer, que teria tomado o remédio se assim pudesse, mas foi afetado por minha escolha.
Como veem a questão é objetiva, mas suas consequências são complexas. Podemos sempre contar com a misericórdia divina e com o auxílio de nossos irmãos caridosos para mitigar nosso sofrimento, mas devemos refletir bem sobre nossas escolhas.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Para hoje

Se até o fio de vossas cabeças está contado por Deus como supor que algo esteja fora de lugar nas calamidades? Desejamos com esse pensamento iniciar nossa mensagem para fazer compreender desde o princípio que epidemias são situações naturais e sazonais na história da humanidade. Não significa que não provoquem dor e sofrimento, mas não estão alijadas da ordem natural das coisas.
Vírus e bactérias são minúsculos seres em evolução que lutam por sobrevivência, se adaptando e se transformando para continuar existindo. O mesmo se dá com o ser humano, que necessita rever conceitos, refletir e analisar comportamentos para se adaptar e sobreviver. 
Não creia que exista a mão de Deus provocando desolação. Jamais, porém a ordem natural das coisas tende a buscar o equilíbrio, e quando nos afastamos em demasia do objetivo maior somos invariavelmente lembrados disso. Senão vejamos, destruímos o ambiente em que vivemos como jamais o fizemos antes, elegemos o ouro como um ídolo colocando o egoísmo e a ganancia em primeiro lugar, nos acostumamos ao imediatismo e ao conforto, mesmo ao lado de irmãos que vivem na miséria.
O fanatismo ressurge com vigor, seja no campo político, seja no religioso, entronamos homens na condição de deuses, transformamos ideologias em instrumentos de acirrada disputa, e trocamos o amor pela discórdia. O que esperávamos? Que a colheita fosse melhor que o cultivo?
Os iluministas lutaram para que a ciência fosse ouvida, que o rigor dos costumes não mais atormentasse mulheres e necessitados, que as amarras do preconceito pudessem ser aos poucos dissolvidas. E o que temos hoje? O recrudescer das falsas crenças, que desvirtuam Deus, que colocam Jesus como um tirano e Deus como interessado nos salários dos crentes. Onde não existe compreensão cresce a discórdia, onde não se permite o amor ao próximo, ao diferente, não se encontrará nada além agruras e animosidades.
Vós espíritas, como descestes tanto? Onde vai a simplicidade? O abraço, o ombro acolhedor? Deixamo-nos atormentar pelo medo, pela discórdia, pelo embate ideológico. Fraqueza humana, sempre viva, sempre desviando os incautos. Lembrem-se de uma vez, a mensagem sempre foi a fraternidade, o amor, e nada além disso. Tudo que me afasta da compreensão e do amor ao meu semelhante não é digno de minha atenção e não trará bons resultados.
É hora de parar de reclamar, de deixar de lado o interesse pessoal e demonstrar que o ser humano é partícula de Deus, e que nele tudo pode. Desfraldemos a bandeira da fraternidade e nos ponhamos nas fileiras dos que trabalham para aliviar o sofrimento alheio. Não há nada de equivocado no mundo que não possa ser reparado com o esforço coletivo. Tudo passa! É hora de permitir que o empenho e a coragem nos guie.

20 de março de 2020.