sexta-feira, 21 de agosto de 2009

DOUTRINA DOS ESPÍRITOS, O QUE É?

Foi sugerido que fizéssemos uma rápida explanação sobre o que é a Doutrina dos Espíritos, isso devido ao fato de que vários leitores do blog não estão familiarizados com as idéias do Espiritismo.

As manifestações dos espíritos sempre existiram, não são uma descoberta recente, se observarmos com atenção, perceberemos manifestações mediúnicas em todos os tempos através da história. Estão no velho e no novo testamento, nas tradições do ocidente e oriente, nas culturas milenares e indígenas, em suma, fazem parte da cultura humana. Essa constatação ultrapassa qualquer visão estreita que situe a manifestação de espíritos em uma crença específica.

No século XIX, um professor bem conceituado na França, decidiu averiguar o que havia de verdadeiro por detrás dessas manifestações, que ficaram famosas com os fenômenos das mesas girantes. Adotando rigorosa metodologia científica o professor Hypolite percebeu que as manifestações eram controladas por uma força inteligente. Uma vez que essa força realizava tarefas complexas e revelava, por diversas vezes, estar dotada de mais conhecimento do que os presentes não poderia estar associada aos participantes. É verdade que o professor Hypolite não deixou de encontrar alguns trapaceiros que acabavam denegrindo a imagem de seu objeto de pesquisa. Porém, as evidências encontradas através de manifestações bem documentadas e lavradas por grande número de respeitadas testemunhas se sobrepunha aos casos de embuste.

Durante o século XIX e no começo do século XX o número de renomados cientistas que se deteviveram sobre experiências com os fenômenos mediúnicos incluía os principais nomes da Europa e Estados Unidos. Com o objetivo de não chamar atenção pessoal, pois pretendia que a doutrina ditada pelos espíritos se sustentasse pelas próprias idéias e não por seu nome já conhecido na França, Hypolite adotou o pseudônimo de Allan Kardec.

Através de pessoas dotadas de sensibilidade para entrar em relação com os espíritos (médiuns) interrogou diferentes espíritos, com diferentes médiuns, em diferentes localidades, resultando disso “O Livro dos Espíritos”. Este livro traz as bases fundamentais das idéias desenvolvidas pelos espíritos. Por isso chamado de Doutrina dos Espíritos ou Espiritismo, pois as idéias foram de autoria dos espíritos.

Ao contrário do que as pessoas que desconheçam o Espiritismo possam supor o direito de livre pensar é amplamente estimulado pelo Espiritismo. O Espiritismo tem por base desenvolver-se lado a lado com a ciência, modificando-se se necessário, mas priorizando sempre o raciocínio lógico que o caracteriza.

Quando se tem convicção de algo por que isto é compreendido nossa fé se fortalece, tornando-se capaz de enfrentar os desafios existenciais. Este é o principal motivo que faz o Espiritismo estimular o entendimento e jamais a fé cega. Na Doutrina Espírita não deve haver líderes instituídos ou guardiões da verdade. Infelizmente, as imperfeições humanas nos fazem tropeçar nessa dificuldade, produto do orgulho e da vaidade, mas não devem ser levadas em consideração. O Espiritismo é um conjunto de idéias desenvolvido coletivamente e que progride na mesma medida em que nos tornamos capazes de galgar novos degraus na escala evolutiva. Portanto, independente do livro, do autor ou do espírito que expõe um conceito, essas idéias devem ser lavradas pela lógica, e, sempre estimulando o bem coletivo. Não temos somente o direito de refletir, mas o Espiritismo nos coloca isso como um dever, pois o crente cego é mais prejudicial do que um contestador sincero. Sendo assim o Espiritismo não deve ser jamais confundido com a opinião pessoal de quem quer que seja.

Eis o Espiritismo, que defende a liberdade de refletir, sem segregar, respeitando as diferenças e estimulando a fraternidade entre as criaturas. Abraçando as diferentes culturas e religiões por entender que se Deus é Amor todos somos invariavelmente irmãos aos seus olhos.

John

sábado, 1 de agosto de 2009

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Devido a alguns compromissos profissionais não estava conseguindo postar no blog, peço desculpas. Quando comecei a escrever no blog pensava em atender aos leitores que me solicitavam a disponibilização de textos. Eu não conseguia enviar email a todos, então, surgiu a idéia de criar um espaço onde pudesse disponibilizar o que solicitavam. Entretanto, esse espaço superou as expectativas, pois hoje, vejo que leitores de diferentes partes do Brasil e do exterior acessam nossas postagens. Fico feliz em constatar tal fato e reforço a intenção de fazer desse instrumento de comunicação um espaço de interação com os leitores. Sejam todos bem vindos e sintam-se a vontade para comentar os textos, informar seus assuntos de interesse ou deixar suas dúvidas.
Atenciosamente, Rafael.

PESQUISADORES DO ESPÍRITO (1)

Destaquei alguns comentários de eminentes pesquisadores que se depararam com o fenômeno mediúnico em seu período áureo de experimentações, entre o final do século XIX e o início do século XX.


“Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade, por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muitas coisas”. – William Crookes, 1898.


Durante três anos o espírito Katie King seguiu se materializando e colocando-se a disposição para que muitos sábios do século XIX a estudassem. William Crookes foi um dos mais notáveis cientistas do século XIX, físico e químico, foi vencedor, em 1907, do prêmio Nobel de Química, por ter descoberto o elemento químico Tálio. Escreveu ainda, muitos outros artigos versando sobre as experiências que o convenceram da realidade do fenômeno espírita.
(continua...)

domingo, 19 de julho de 2009

PERDÃO E CONSCIÊNCIA

Em matéria de perdão, não olvides o tribunal interior, em que a consciência é sempre o juiz incorruptível de todos os nossos atos.Os pesares que semeamos são pedras calcinantes a se voltarem sobre a nossa cabeça.Toda ação na vida reage sobre si própria, em ondas de reação, tornando ao ponto central de origem.Sem dúvida, que a morte ser-te-á entre os homens um fator de aparente liquidação de todos os débitos.Tuas contas e ofensas aparecerão desculpadas pelos irmãos do caminho, no entanto, não por ti mesmo que lhes carrearás a sombra, onde fores, como alguém que amarra fardos de lodo e cinza ao imo do próprio ser.As feridas que abriste nos companheiros serão por eles, quase sempre integralmente apagadas, entretanto, nas telas da mente surgirão por fantasmas de dor, vitalizadas pela memória que nos traça as lembranças felizes ou infortunadas do bem ou do mal a que nos afeiçoamos.É desse modo que homicidas e delinqüentes, muitas vezes perdoados por suas vítimas, prosseguem depois do túmulo assaltados pelas imagens daqueles que lhes sofreram os golpes e os prejuízos, algemados ao remorso que se lhes erige nas almas em pelourinho de angústia e, pelo mesmo processo, os ingratos e desertores, olvidados na Terra, continuam, além, submetidos à aflição que lhes nasce dos pesadelos ocultos.Não desprezes a oportunidade de auxiliar sempre, exercitando a bondade e a tolerância, o amor e a compreensão, porque o mal, muitas vezes, transforma-se em paz e luz naqueles que o recebem e, invariavelmente, é sempre treva e dor naqueles que o praticam.
Emmanuel
Livro: Irmão - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 10 de julho de 2009

THE SPIRITIST DOCTRINE or SPIRITISM

Unshakable faith is only that which can meet reasonface to face in every Human epoch – Allan Kardec

· "Spiritism is a science which deals with the nature, origin and destiny of Spirits, as well as their relationship with the corporeal world."
· It reveals new and more profound concepts with respect to God, the Universe, the Human Being, the Spirits and the Laws which govern life itself.
· By bringing new concepts about the Human Being and everything that surrounds it, Spiritism touches on all areas of knowledge, human activities and behaviour, thus opening a new era for the regeneration of Humanity.
· Spiritism can and should be studied, analyzed, and practiced in all the fundamental aspects of life, such as: scientific, philosophical, religious, ethical, moral, educational, and social.
· In addition to the corporeal world inhabited by incarnate Spirits, which are human beings, there exists the spiritual world, inhabited by discarnate Spirits.
· Spirits are the intelligent beings of creation. They constitute the world of the Spirits, which pre-exists and outlives everything.
· Spirits are created simple and ignorant. They evolve intellectually and morally, passing from a lower order to a higher one, until they attain perfection, where they will enjoy unalterable bliss.
· Spirits preserve their individuality before, during, and after each incarnation.
· Spirits reincarnate as many times as is necessary for their spiritual advancement.
· Jesus is the Guide and Model for all Humankind. The Doctrine He taught and exemplified is the purest expression of God's Law.
· Human Beings are given free-will to act, but they must answer for the consequences of their actions.
· All Spiritist practice is gratuitous, following the orientation of the moral principle found in the Gospel: "Give for free what you receive for free."
· Spiritism is practiced with simplicity, without any external forms of worship, within the Christian principle that God should be worshipped in spirit and in truth.
· Spiritism has no clergy, nor does it adopt or use at any of its meetings or during its practices the following: altars, images, candles, processions, sacraments, concession of indulgences, religious vestiments, alcoholic or hallucinogenic beverages, incense, tobacco, talismans, amulets, horoscopes, cartomancy, pyramids, crystals, or any other objects, rituals or external forms of worship.
· Spiritism does not impose its principles. It invites those interested in knowing it to submit its teachings to the test of reason before accepting them.
· Spiritism respects all religions and doctrines; values all efforts towards the practice of goodness; works towards peace and fellowship between all nations and all peoples, regardless of race, colour, nationality, creed, cultural or social standing. It also recognizes that "the truly good person is one who complies with the laws of justice, love, and charity in their highest degree of purity."

International Spiritist Council

sexta-feira, 26 de junho de 2009

AS EMOÇÕES E A MEDIUNIDADE

Após breve prece, antecedida de três quartos de hora de leitura preparatória, sento-me e fico mentalmente disponível ao contato com os espíritos. Não faço exigência alguma, em completa liberdade, sem mesmo pensar no que escrever. Procuro estar em posição neutra para que meus pensamentos, sentimentos e emoções ordinárias não interfiram no processo.
Ora, mas estamos falando de mediunidade, um processo que carece de um ser humano para se estabelecer. Por isso, neutralidade não existe. Há toda uma ampla carga de sentimentos e emoções caracterizando o espírito. E isso independe de estarmos encarnados ou desencarnados. Somos essencialmente fruto do que sentimos, e nem tanto do pensamento, como facilmente supomos. O pensamento é elaboração posterior, desenvolvido mais tarde em nossa trajetória evolutiva. Por exemplo: os sentimentos são a elaboração cognitiva de nossas emoções. Apesar do ser humano ser essencialmente emocional, devemos nos esforçar por encontrar, ou buscar pelo menos nesse sentido, um ponto de equilíbrio, de maior neutralidade, para que a comunicação mediúnica se dê da forma mais fiel possível.
Todo estudioso do Espiritismo já compreende que não haverá intercâmbio mediúnico destituído da filtragem de seu intérprete. Impossível o médium não dotar de suas características a manifestação que através dele se produz. Esse fato inaugurou a perseguição àqueles que se ocupavam do Espiritismo no passado, acusados de charlatanismo, quando, na realidade, somente havia falta de compreensão sobre o desenrolar do fenômeno espírita.
Atualmente, continua-se exigência por médiuns isentos de emoções, homens-máquinas, que possam transmitir a comunicação dos espíritos sem intervenção pessoal alguma. Essa busca extrema por eficácia nos faz questionar sobre a utilidades desses médiuns, uma vez que mesmo os espíritos fora da matéria como a conhecemos tem emoções. Como alcançaríamos sintonia para estabelecer vínculos a fim de efetivar o intercâmbio mediúnico sem essa identificação íntima entre as partes? E o verdadeiro espírita ou cristão, pois são ambos a mesma coisa, não é aquele que dá demonstrações de seu esforço para melhorar?
Alguns companheiros de ideal podem pensar que estamos aqui derrubando a mediunidade, entretanto, estamos justamente enaltecendo-a. Que constatação maravilhosa saber que as palavras mais suaves, enternecedoras e capazes de dar esperança à mais infeliz das criaturas levaram as cores daquele médium que foi seu intermediário. Sinal de que se encontrou um coração sensível e disposto a viver em si mesmo o Evangelho.
Se não assustarem esse intérprete dos espíritos, afirmando que ele é alvo de animismo ou de uma mistificação inconsciente, seguirá amparando os mais necessitados, aprendendo e tornando-se médium do amor, o que é muito mais importante do que ser médium dos espíritos. Ele não irá preocupar-se com a comunicação mediúnica em si, mas, dotado de sensibilidade, aprenderá a discernir a melhor forma de confortar e reerguer uma alma em aflição. Em assim agindo, estará mais do que nunca acessível a influência dos espíritos bem intencionados.
Lembrem-se que mesmo as manifestação espirituais de ordem física, como as materializações, sofriam com ideoplastias dos médiuns e assistentes das sessões. Porém, isso não as tornava menos belas. Continuavam com imensa capacidade de encher seus expectadores da certeza da continuidade da vida.
Não compreendem a que me refiro? Vejam, então, como comecei a me exprimir no texto que agora lêem, servindo-me das condições íntimas do médium. Descreve ele como se preparou para me emprestar o organismo físico em parte para que pudesse intuí-lo. O texto perde em qualidade com tal fato? Creio que não. Aponta o intenso entrosamento que deve existir entre todos os envolvidos para que uma comunicação mediúnica seja proveitosa e ofereça alguma utilidade. Além do mais, basta nos determos na mensagem de fundo. Ao final de uma comunicação espírita, avaliemos nós a impressão que ela nos causou, e teremos uma direção para avaliar a qualidade não somente do conteúdo, mas principalmente das intenções explicitas e implícitas, que nos deixa entrever o caráter dos responsáveis por ela. E isso basta.
Onde há o desejo sincero de fazer o bem, o amor encontra-se solidamente instalado, fortalecendo-se gradualmente. Paulo referiu-se: “Ainda que eu falasse a língua dos anjos, que tivesse o dom da profecia e penetrasse todos os mistérios, ainda que possuísse uma fé inabalável ao ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor nada seria”.
Frei Felipe
(Rafael de Figueiredo / Frei Felipe (espírito). Texto publicado na Revista Delfos - Ano IX / edição 2 / n°34)