O projeto do blog pareceu por muito tempo desativado. A falta do hábito nos fez perder a prática é verdade. Entretanto, compromissos profissionais, e, principalmente, da vida familiar tem uma facilidade enorme de nos tornar improdutivos no campo mediúnico. Logo se pensa na queda dos médiuns, que surgem com excelente potencial, mas se perdem no caminho.
Não, na verdade, essa visão, atualmente me parece um tanto quanto limitada. Na realidade, em muitas ocasiões, até mesmo desprovida de razão. Talvez, esteja essa opinião vulgar sendo pautada por uma visão limitada, embalada por preconceitos e amarras conceituais tão comuns e inconscientes no aspecto religioso, no sentido mais pobre do termo.
Por inúmeras vezes me senti culpado, argumentando intimamente que estava usando a vida familiar e profissional como subterfúgio para mascarar a preguiça nos momentos em que não havia como escrever. Eis a grande questão que é preciso compreender, a vida é compostas de diferentes fases. E a produção mediúnica, ou a dedicação ao núcleo espírita não é necessariamente a mais importante delas.
Senão, basta que vejamos, quais são os verdadeiros dilemas do espírito? Não está alicerçado justamente nos relacionamentos pessoais e na forma como lidamos com os sentimentos? As situações mais complexas que despontam do passado são justamente as relações humanas, quase sempre na zona de atuação do núcleo familiar.
Portanto, se dedicar a filhos e cônjuges, pais e amigos, não deve ser motivo de dilema para nenhum adepto da Doutrina Espírita. Se ainda surgem olhares repreensivos ou palavras de crítica não esqueçamos que temos a consciência ainda refém da forma antiga de pensar e compreender a nossa relação com Deus. Onde sempre havia o pecado e a falta, e por consequência, a culpa e o remorso.
O Espiritismo se fazendo de filosofia libertadora veio romper com essas amarras que tanto fazem sofrer o humilde e o ignorante. Se não cumpre ainda seu papel não é por falta de base filosófica, mas por limitação de seus adeptos.
É possível afirmar que se faz mais pela sociedade no lar e no ambiente profissional com uma postura digna e dedicada do que em qualquer outro lugar. Onde vivemos as lutas diárias deixamos marcas com nosso exemplo. Por isso, o Espiritismo fechado em si mesmo, trancafiado entre quatro paredes é infértil. Ele vive, se espalha e se fortalece no exemplo do homem de bem, que vive do suor de seu rosto e sobrevive as lutas diárias.
Em resumo, o Espiritismo liberta e jamais aprisiona a consciência daquele que o estuda. Não devemos nos arrastar em remorso, mas buscar a compreensão de si mesmo e de como podemos ser úteis em nosso meio de convivência.
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
REMORSO ESPÍRITA
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
O Angustiante Panorama Atual
Nossa vida cotidiana nos leva, por vezes, por caminhos que temos dificuldades de controlar. Os desafios diários são tantos que parece nos faltar forças para dedicar atenção a nós mesmos, ao cuidado de nossa intimidade. Nosso repouso não é mais o momento de introspecção e silêncio, mas o alheamento ante a TV e redes sociais. Descuidamos de nós mesmos e colhemos o preço dessa falta de atenção.
Vivemos um período de pessimismo muito extremo, os comentários, os noticiários, são carregados de desinformação e imediatismo. Consideramos que o presente é o ápice do retrocesso cultural e moral. Porém, isso não é verdade! O mundo em que vivemos hoje não é pior do que o mundo em que sempre vivemos. Muito antes o contrário, o problema da modernidade é esse excesso e abundância de tudo, todos temos opiniões publicadas, e quase sempre não temos o zelo para usá-la. Essa avalanche de vozes nos leva a uma ansiedade angustiante. Angústia essa que contagia e corroe as raízes de nossa espiritualidade.
Desesperados, sem rumo, nos lançamos ao imediatismo, somos facilmente vitimas de imagens e ídolos que se colocam como alternativas a essa explosão de informações. Surgem algumas raras referências positivas em meio a inúmeras figuras oportunistas e desvairadas. E feito cordeiros, incapazes de perceber a própria incoerência, os seguimos, as vezes, os idolatramos e até mesmo os defendemos.
Entretanto, isso faz do mundo de hoje pior que o mundo de nossos avôs?
Se por um lado vivemos em uma ansiedade constante que nos tortura e nos faz perder o rumo, por outro, existem liberdades e conquistas individuais inimagináveis a décadas atrás. Se ainda não sabemos acalentar a tolerância em suas múltiplas facetas em nossos corações não é culpa do mundo, mas de nossa atrofia dos sentimentos e de nossa visão egoísta do mundo. A medicina, a ecologia, a igualdade de gênero, os direitos das crianças, as regras que regem um trabalho digno, o direito a educação e saúde, por mais precário que pareçam, são conquistas desse último século. Portanto, o mundo não regrediu.
Talvez se pudéssemos deixar um pouco de lado esse fascínio pelas coisas sem importância que hoje praticamente controla nossas vidas aprendêssemos a cultivar a vida com mais otimismo. Talvez se deixássemos de lado essa carência por ídolos e aprendêssemos a buscar referências em um contexto geral não seríamos tão radicais. Cultivar em nós mesmos uma vida com ideais mais singelos nos faria bem, acalmaria nossa mente e coração.
Não pensem que isso tudo não se reflita no próprio Espiritismo. Pois, essa abundância de informações, nos levou a uma explosão de autores e publicações, que em grande parte pouco ou nada tem de espíritas. Existe muito material “antigo” de uma atualidade sem par, que poderiam servir de referência, de bojo, para que pudéssemos selecionar o joio do trigo atualmente. Essa ansiedade pela modernidade e pela busca de respostas fáceis nos faz reféns de ídolos e opiniões. Lembremos que a força do Espiritismo está na pluralidade de suas fontes e não na idolatria de personagens, ninguém deveria ser erguido a condição especial. Afinal, todos somos humanos, falíveis e imperfeitos. Nenhum espírito ou médium é dono da verdade ou se coloca além da crítica.
As vezes, quando me pego angustiado pelo mundo com que me deparo, me acalmo e lanço o olhar ao passado e percebo que nada está fora do lugar. Ao que parece as vozes do jornalismo e da internet, que democraticamente, nos alcançam a todos ainda não descobriram seu verdadeiro potencial transformador. Por enquanto apenas resmungam e gritam, condenam e criticam, mas assim o fazem por ignorância, não percebem as alternativas. Construa ao seu redor o ambiente de paz que deseja viver e respiraras em harmonia fortalecendo-te para as lutas do amanhã.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
O caos de nosso tempo
Vemos atualmente não propriamente um sinal dos tempos, como preverem interpretar nossos companheiros apressados, mas um esgotamento da organização social. O que sempre serviu para acomodar os indivíduos em seus grupos sociais e com isso integrar uma sociedade não funciona mais. Mundo afora revoluções se erguem clamando mudanças. Porém, percebam que mudanças bruscas não são transformações reais. E muitas dessas revoluções acarretam em transformações bastante negativas.
Instrumentos de comunicação modernos, conhecidos como midias sociais, deram ao homem comum espaço para opiniões, na maioria das vezes expostas apressadamente, sem espaço para reflexões, expondo ódio e preconceito. Nutrindo divisões sociais entre pessoas que deveriam construir conjuntamente um estado ou uma nação.
Estamos expondo nosso lado mais obscuro e deixando evidente nossa dificuldade de aprender com os erros do passado. Será preciso repeti-los? Está resposta depende da sociedade que queremos construir.
O Espiritismo deve mais do que nunca ser ativo e erguer a bandeira da tolerância. Depende do esforço individual a transformação para melhor do ambiente em que vivemos. A ética pode nos servir de farol, iluminando o caminho a seguir, mas de nada valerá se nos for ela vivida intimamente a cada passo que dermos. Sejamos o exemplo vivo do mundo que desejamos para nossos seres amados.
domingo, 28 de junho de 2015
PRÉ LANÇAMENTO DO LIVRO "APRENDENDO COM OS ESPÍRITOS"
domingo, 10 de maio de 2015
Crítica literária de "O Testemunho dos Sábios"
sábado, 4 de abril de 2015
A FILOSOFIA PERENE
Recentemente fora publicado pela editora Didier esta obra de Humberto Coelho Schubert, que versa a respeito de um dos temas mais vitais para a sobrevivência do idealismo humano e, porque não dizer, da própria essência do Espiritismo. O autor não faz uma apologia ao Espiritismo, longe disso, aborda num sentido mais profundo aquilo que é essencial a filosofia e percepção de sábios e religiosos através dos séculos. Aquele sentimento e percepção que poderíamos aqui, classificar muito bem pelo termo, fraternidade, e que deveria servir de lema a todos os pensadores espíritas.
http://editoradidier.com.br/a-filosofia-perene-humberto-schubert-coelho.html
domingo, 27 de julho de 2014
O PROGRESSO, A LEI DE LIBERDADE E AS REVOLUÇÕES
O mundo parece convulsionar tomado pelo radicalismo e conflitos armados em diferentes partes. Em países democráticos vemos a insanidade crescer sob influência de espíritos que não aceitam o que é decidido nas urnas, a revolta é estimulada através da mídia e das redes sociais, alimentando um monstro que atende pela hediondez e tem sanha de ceifar vidas humanas. O que se passa? Onde estão os espíritos capazes de erguer a voz e clamar pelo bom senso e a paz? Não seria esse o papel do Espiritismo?
Nos acostumamos a ouvir através de bocas irresponsáveis e ouvidos pouco experientes de que tudo isso é sinal dos tempos, que o mundo convulsiona em prelúdio a uma grande transformação. Entretanto, quando queremos ver nossa casa limpa e renovada, não aguardamos de braços cruzados, deixando que o pó e as teias de aranha se amontoem. É preciso se engajar, esforçar-se atuando diretamente na limpeza e reforma. Porque fazemos diferente quando se trata do planeta inteiro, algo de muito maior relevância? Existe alguma mudança positiva resultante da inercia e da preguiça?
Alguns desavisados conseguem ir mais além, fazendo apaixonadas citações da tomada da bastilha, querendo argumentar que neste dia o povo tomou o poder dos reis do mundo. Só que esquecem de aprofundar essa visão, não comentam que essa desorganizada revolução levou a França a mais de cinquenta anos de caos. Que a população masculina do país foi praticamente dizimada, nas consequentes guerras que surgiram antes e depois de Napoleão. Que a guilhotina injustamente cortou a cabeça de muitos inocentes, que o rio sena havia dias mudava para a cor vermelha em função do sangue derramado. Será que é esse o tipo de mudança que queremos?
Espíritos imaturos acreditam que toda mudança se obtêm através da violência. É natural para consciências que sequer saíram das sombras pensar assim, ainda não viveram a experiência duradoura de se obter progresso através de um senso comum, de diálogos e negociações. Por isso tantas depredações, linchamentos e o uso de fogo em manifestações e protestos. No fim Deus acaba se valendo de nossas imperfeições para que se avance de qualquer forma, mas poderiam progredir de modo mais eficiente e menos custoso.
Repetir velhos erros históricos não é um sinal de maturidade. O cenário mundial atual nos recorda o prenuncio de conflitos bélicos de larga escala. Esse é preço que desejamos pagar para promover a tão aclamada transformação que os espíritas proclamam aos quatro cantos? Quando somos movidos por convicções sinceras o fazemos com o rosto descoberto, de peito aberto e prontos a defender e viver os ideais que abraçamos. Atualmente estamos prontos a condenar todos, principalmente os espíritos encarnados que carregam o fardo da administração pública, e que invariavelmente arcarão com os erros cometidos posteriormente. Os condenamos, marchamos nas ruas pedindo mudanças, muito justo, mas de que vale pregar no exterior o que não consolidamos sequer dentro de nós. Não existe nisso certa hipocrisia? Nossos dirigentes representam a média moral de nossa população, portanto, o mal, a corrupção, os desvarios do crime não estão concentrados apenas nos altos comandos, mas dentro da intimidade de cada um de nós. E é exatamente aí onde devemos começar a mudar, deixando de pensar de modo egoísta e aprendendo a trabalhar por um bem comum, maior e fraterno. Terceirizar responsabilidades atesta nossa imaturidade. O mundo não irá mudar para melhor sem esse esforço pessoal e intransferível.
Não existe progresso sem esforço, sem trabalho. Supor que o mundo esteja fadado ao progresso não nos inclui nessa transformação, pois muito provavelmente somos os elementos refratários que seremos convidados a se retirar se não tratarmos de nos modificar.
Podemos rezar por uma mudança pacífica, mas nossa omissão e silêncio ante a barbárie também é considerado uma falta. Já que tendo consciência do dever não o colocamos em prática. Nosso silêncio, espíritas, não pode contribuir para a propagação do fanatismo e excesso de violência.
Todos queremos um mundo melhor, mas incitar a revolta não nos levará a essa transformação. Precisamos usar nossa influência para inspirar a tolerância e a paciência, defender mecanismos sociais que promovam o bem sem que resvalem na agressividade de nossos irmãos refratários. É preciso respeitar o direito de todos. Nos transformamos em uma sociedade que recorda sempre que possível de seus próprios direitos, mas esquece quase sempre de seus deveres. Se nós já compreendemos isso, mesmo que de modo incipiente, é nosso dever erguer a voz e clamar pelo bom senso, pela paciência e fraternidade, valores distantes dos noticiários nos dias atuais. Esse é o papel das almas esclarecidas, daqueles que tem consciência de que precisam melhorar e que o seu silêncio é uma deserção.
Estimulemos o amor e compaixão, não alimentemos a revolta nesses espíritos imaturos que tomam as ruas com os rostos escondidos. Nada podemos esperar do crime e da violência. Que a frustração política de uma nação se transforme em um pacto social pelo progresso moral e coletivo, através de instrumentos que a democracia disponibilize. Deixemos de lado a calunia de grupos políticos rivais disputando o poder dos homens e nos concentremos e ser a mudança que queremos ver no mundo a nossa volta.
Um filho da responsabilidade que advêm da liberdade.
