terça-feira, 18 de junho de 2013

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Esse texto de Allan Kardec é bastante atual ao momento pelo qual vive o Brasil, e deixa boa margem para reflexão. Destacamos alguns trechos que julgamos mais oportunos e que merecem maior atenção.

Fonte: Obras Póstumas – Allan Kardec

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Liberdade, igualdade e fraternidade, três palavras que são por si sós o programa de uma ordem social, que realizaria o mais absoluto progresso da humanidade, se os princípios que representam pudessem receber inteira aplicação. Vejamos os obstáculos que, no estado atual da sociedade, lhes podem ser apresentados e procuraremos os meios de removê-los.

A fraternidade, na rigorosa acepção da palavra, resume todos os deveres do homem para com os semelhantes. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência; é a caridade evangélica por excelência e a aplicação da máxima "fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam". O oposto constitui a norma do egoísmo. A fraternidade proclama: um por todos e todos por um; o egoísmo perora: cada um para si. Estes dois princípios, sendo a negação um do outro, tanto impedem ao egoísta de ser fraterno como ao avarento de ser generoso e um homem medíocre de chegar às culminâncias de um grande homem. Ora, sendo o egoísmo social, enquanto ele dominar, será impossível a verdadeira fraternidade, querendo a cada um para proveito próprio ou quando muito em proveito de outrem, uma vez que nada perca com isso.

Atenta a sua importância para a realização da felicidade social, a fraternidade está na primeira linha: é a base; sem ela seriam impossíveis a liberdade e a igualdade reais. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade do conjunto das duas.

Suponhamos uma sociedade de homens assás desinteressados, benévolos e prestativos, para viverem fraternalmente. Entre eles não haverá privilégios e direitos excepcionais, o que destruiria a fraternidade.

Tratar alguém de irmão é tratar de igual para igual, é querer para ele o mesmo que para si. Em um povo de irmãos, a igualdade será a conseqüência dos seus sentimentos, da sua maneira de proceder, e se estabelecerá pela força das coisas.

Qual é, porém, o inimigo da igualdade? O orgulho, que trabalha por ser o primeiro e por dominar; que vive de privilégios e de exceções e que aproveitará a primeira ocasião para destruir a igualdade social, nunca por ele bafejada. Ora, sendo o orgulho uma das chagas sociais, é evidente que nenhuma sociedade terá a igualdade sem arrasar primeiro esta barreira.

A liberdade, já o dissemos, é filha da igualdade e da fraternidade. Falamos da liberdade legal, e não da natural, que é um direito imprescritível de toda a criatura humana, até do selvagem.

Os homens, vivendo como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de recíproca benevolência, praticarão entre si a justiça, não causarão danos e, portanto, nada recearão uns dos outros. A liberdade será inofensiva, porque ninguém abusará, em prejuízo do seu semelhante. Como conseguir que o egoísmo, tudo desejando para si, e o orgulho, que quer tudo dominar, dêem as mãos à liberdade, que os destrona? Nunca o farão, porque a liberdade não tem mais encarniçados inimigos, assim como a igualdade e a fraternidade.

A liberdade pressupõe confiança mútua, mas este sentimento é impossível entre homens, que só têm em vista a sua personalidade e não podendo satisfazer à sua ambição à custa de outrem, vivem em guarda uns contra os outros, sempre receosos de perder o que chamam o seu direito e têm o predomínio como condição da existência; e por isto levantarão barreiras à liberdade e a sufocarão tão depressa encontrem propício ensejo.

Os três princípios são, como já dissemos, solidários entre si e apoiam-se mutuamente. Sem a co-existência deles, o edifício social fica incompleto. A fraternidade, praticada em sua pureza, requer a liberdade e a igualdade, sem as quais não será perfeita. Sem a fraternidade, a liberdade soltará a rédea às más paixões, que correrão sem freio. Com a fraternidade, o homem saberá regular o livre-arbítrio, estará sempre na ordem. Sem ela, usará do livre-arbítrio, sem escrúpulos; serão a licença e a anarquia. É por isso que as mais livres nações são forçadas a por limites à liberdade. A igualdade, sem fraternidade, conduz aos mesmos resultados, porque a igualdade requer liberdade. Sob o pretexto da igualdade, o pequeno abate o grande, para tomar-lhe o lugar, e torna-se tirano por sua vez. Não há senão um deslocamento de despotismo.

Do exposto resulta que deve permanecer na escravidão o povo que não possui ainda o verdadeiro sentimento de fraternidade? Que não têm capacidade para as instituições fundadas sobre os princípios de igualdade e de liberdade? Pensar assim é mais o que cometer um erro, é cometer um absurdo. Nunca se espera que a criança chegue a todo o seu desenvolvimento orgânico para ensiná-la a andar.

Quem é, as mais vezes, o guia ou o tutor dos povos? São homens de idéias grandiosas e generosas dominados pelo amor do progresso, que aproveitam a submissão dos seus inferiores, para neles desenvolver o senso moral e elevá-los pouco a pouco à condição de homens livres? Não; são, quase sempre homens ciosos do seu poder, a cuja ambição outros servem de instrumentos mais inteligentes do que os animais e que por isso, em lugar de emancipá-los, os conservam, quando podem, sob o jugo e na ignorância. Esta ordem de coisas, entretanto, muda por si mesma, sob a irresistível influência do progresso.

A reação é, não raro, violenta e tanto mais terrível quando o sentimento de fraternidade, imprudentemente sufocado, não interpõe o seu poder moderador. A luta é travada entre os que querem arrebatar e os que querem guardar; daí um conflito que se prolonga, às vezes, por séculos. Um equilíbrio fictício por fim se estabelece. As condições melhoram, mas os fundamentos de ordem social não estão firmes, a terra treme debaixo dos pés; porque ainda não é o tempo do reinado da liberdade e da igualdade sob a égide da fraternidade, visto como o orgulho e o egoísmo ainda contrastam com os esforços dos homens de bem.

Vós todos, que sonhais com esta idade de ouro para a humanidade, trabalhai principalmente na construção dos alicerces do edifício; antes de lhes terdes coroado o fastígio, dai-lhe por pedra angular a fraternidade em sua mais pura acepção; mas é preciso saber que, para isto, não basta decretar e inscrever a palavra numa bandeira; é mister que haja o sentimento no fundo dos corações e não seja ele trocado por disposições legislativas. Assim como para fazer frutificar um campo é preciso remover as pedras e arrancar a erva, urge trabalhar sem descanso para remover e arrancar o orgulho e o egoísmo, porque são eles a fonte de todo o mal, o obstáculo real ao reino das coisas boas.

Destruí nas leis, nas instituições, nas religiões, na educação, os mais imperceptíveis vestígios dos tempos da barbaria e dos privilégios, bem como todas as causas, que entretem e desenvolvem esses eternos obstáculos ao verdadeiro progresso, vícios que são ingeridos, por assim dizer, como o leite, e aspirados por todos os poros na atmosfera social.

Só então os homens compreenderão, os deveres e benefícios da fraternidade, só então se firmarão por si mesmos, sem abalos e sem perigos, os princípios complementares da liberdade e da igualdade. E é possível a destruição do orgulho e do egoísmo? Respondemos alta e formalmente: SIM, porque, do contrário, fixar-se-á um marco eterno ao progresso da humanidade. Que o homem avulta sempre em inteligência, é fato incontestável. Terá chegado ao ponto culminante da sua caminhada por esse caminho? Quem ousaria sustentar tão absurda tese? Progride em moralidade? Para responder a esta pergunta, basta comparar as épocas de um mesmo país. Por que razão alcançará o limite de progresso moral antes que o do intelectual? A sua aspiração para uma ordem superior é o indício da possibilidade de ali chegar. Aos homens do progresso pertence ativar esse movimento pelo estudo e aplicação dos meios mais eficazes.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

PROPAGAÇÃO DAS IDÉIAS ESPÍRITAS

Ficamos felizes de constatar o entusiasmo de nossos companheiros encarnados quando após perceber o conteúdo da Doutrina Espírita querem dividi-lo com outros irmãos de caminhada terrena. Esse entusiasmo que serve de combustível as grandes obras precisa, apesar da boa intenção, ser bem refletido antes de colocado em prática.

Não são poucas as vezes que querendo fazer o bem acabamos por nos desviar de rota e nossas ações são mal interpretadas. Devemos guardar conosco o respeito pela crença alheia, pois se nós estamos prontos a ouvir falar de Espiritismo muitas pessoas não o estão. E se não soubermos respeitar a liberdade íntima que cada ser humano possui para crer no que lhe aprouver acabaremos convertendo nossas melhores intenções em uma atitude antipática.

O Espiritismo deve estar disponível, mas não pode adentrar a casa alheia sem ter sido convidado a entrar. É preciso muito bom senso e precisamos respeitar o tempo de cada criatura. Não existe apenas uma verdade no mundo em que vivemos. O mais importante de tudo é a implementação da lei da caridade, a lei do amor, pouco importando a denominação com que esteja revestida.

Certa feita os espíritos aventaram a possibilidade de realizar transmissões televisas para demonstrar as pessoas a veracidade da vida após a morte e todas suas consequências, porém, foram impedidos de fazê-lo. Aqueles que dirigiam a implementação da Doutrina Espírita manifestaram sua preocupação pela conversão em massa. Sem a lenta e aprofundada propagação das idéias que constituem a Doutrina Espírita seus enunciados seriam distorcidos e diferentes seitas surgiram em torno de sua proposta.

O Espiritismo deve libertar consciências e isso só se faz gradualmente através da edificação interior e da dedicação ao estudo. É preciso que os tutores estejam bem preparados e em grande quantidade antes que o Espiritismo torne-se uma realidade unânime, caso contrário, colocaríamos tudo a perder estimulando o fanatismo que advém da ignorância.

Que usemos nossa motivação para aprender e nos tornarmos pessoas melhores e quando surgir alguém em nosso caminho sedento pelo conhecimento que já adquirimos dividir com este em doses generosas, eis a prática da caridade.

E.

14/03/2012.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"CRIANÇAS ÍNDIGO" E A FALTA DE LÓGICA

Nosso primeiro artigo sobre o tema trouxe algumas dúvidas manifestadas pelos leitores, para evitar emitir apenas nossa opinião particular pareceu interessante se valer do vasto argumento emitido por estudiosos do movimento espírita. Nosso segundo e último artigo sobre o tema foi extraído da Revista Internacional de Espiritismo, as devidas referências encontram-se abaixo:

Publicado por Adésio Alves Machado em 18/1/2008

Bons espíritos são identificados pela prática da justiça, da paz e da fraternidade.
O movimento espírita mostra-se, em muitas ocasiões, muito infantil, invigilante mesmo e esquecido do que tanto apregoou Allan Kardec, "o bom senso encarnado". Disse ele:
"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espírito bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam; a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar.
Substituí-los-ão Espíritos melhores que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade.
A Terra, no dizer dos Espiritos não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas”. (1)
Aí estão, meus irmãos e minhas irmãs, breves palavras do Codificador, extraídas do seu livro A Gênese, mostrando a mecânica da transformação moral desta Humanidade. Vejamos o que existe a respeito das Crianças Índigo e vejamos se coincidem com o afirmado pelo Codificador.
Inicialmente, a existência dessas "crianças" partiu de uma seita norte-americana criada por Lee Carrol, que vende sessões de energização para mudar DNA das pessoas. Portanto onde entra o interesse financeiro apanágio de um povo sempre envolvido com dinheiro ligado às questões espiritualistas, exige, tem de merecer de todos nós o máximo de cuidados.
A verdade é que vamos ferir suscetibilidades, magoar o amor próprio de amigos e companheiros, granjear inimigos gratuitos e atiçar revides apaixonados. Contudo, temos de nos definir: estaremos sempre com a verdade ou com a mentira, defendemos a Doutrina abraçada ou nos tornamos tolerantes num grau que só pede prejudicar a divulgação espírita tudo em nome de uma falsa caridade. Vamos permitir, sem fazer nada em contrário, que a mentira doutrinaria trafegue impune pelos nossos caminhos espiritistas?
O 1º livro best-seller "Crianças lndigo" foi publicado nos EUA em 1999, e no Brasil em 2005. Segundo seus autores entre eles uma vidente de nome Nancy Ann Tappe, "elas", as Crianças índigo, apresentam estas alarmantes características: "Nascem, sentem-se e agem com realeza (...). Conseguem inverter as situações, manipulando ao invés de serem manipuladas, especialmente seus pais (...). Não se relacionam bem com pessoa alguma que não seja igual a elas (...). Algumas têm propensão ao vício, especialmente drogas durante a adolescência".
Meu Deus! Será desta forma que a Espiritualidade Superior irá realizar a transformação moral da Humanidade? Ela teria perdido totalmente o juízo? Nem eu faria tal coisa, quanto mais os Espíritos Superiores, representantes que são de Jesus, o Mestre dos mestres!
Uma vidente de nome Nancy Ann Tappe, supostamente a primeira a reconhecer a aura azul dessas crianças, fez um incrível relato sobre "elas":
"Todas as crianças que mataram colegas de escola (nos EUA isso já se constitui num hábito, desgraçadamente) ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos. Elas tinham uma visão clara de sua missão, mas algo entrou em seu caminho e elas quiseram se livrar do que imaginavam ser o obstáculo. Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá-lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo". Perguntamos: com tantos Espíritos sábios e bons no mundo espiritual, Jesus, o Governador do planeta, responsável direto diante de Deus (Nenhuma de minhas ovelhas se perderá) pela sobrevivência e progresso moral/intelectual dos habitantes da Terra, não teria nada melhor para nos oferecer em matéria de orientadores?"
Ora, meus irmãos e minhas irmãs, a fraternidade e a caridade hão de ser sempre a pedra angular da nova humanidade que está sendo construída, ou o Espiritismo não passa de uma doutrina quimérica, oferecendo sonhos e fantasias para todos nós que o abraçamos.
A nova geração que se apodera lentamente da Terra sem estardalhaço, mostrará uma inteligência precoce, o uso natural da razão, juntos à prática do bem e do amor aos mais carentes, não pode ter outras características.
Cada criança que nascer, nessa nova era, não demonstrará propensão ao mal, mas ao bem, será conseqüentemente mais adiantada do que as que aqui já estão.
Acontece que as crianças índigo mostradas pelos autores dos livros que falam sobre "elas", são descritas como revoltadas, agressivas e prepotentes, nada tendo, pois, a ver com os anunciados espíritas descritos aqui na primeira página por AlIan Kardec.
Lee Carrol, um dos autores do livro "Crianças Índigo", é formado em Economia pela universidade da Carolina do Norte. Tudo começou quando um sensitivo (médium) afirmou estar vendo uma entidade extraterrestre junto a ele que se identificou como "Kryon".
Acreditando, inexperiente como deve ser sobre a influência dos Espíritos em nossas vidas (mediunidade), ele começou a "canalizar" (essa a denominação encontrada por ele substituindo o verbo psicografar), como partícipe que é de reuniões num grupo esotérico.
Sua ex-mulher, Jan Taber, o ajudou a criar uma seita própria, o Grupo Iluminação "Kryon", em 1991, aí tendo início, como sabemos muito bem através da Doutrina Espírita, um terrível processo obsessivo.
Os lucros do casal renderam, durante 10 anos, a publicação de 12 livros com as edições traduzidas para 23 línguas, com uma vendagem de um milhão de exemplares.
O Lee CarrolI oferece consultas pagas, conseguindo reunir uma assistência de mais de 3.000 pessoas, lotando caríssimos salões e teatros da Europa e Estados Unidos. Nesses encontros são vendidos, além dos livros, bijuterias, filmes, souvenires. As mensagens de "Kryon" pela internet alcança um público de 20 mil pessoas por dia.
O site oficial da seita dá uma versão sobre a identidade de "Kryon", dizendo que "Ele é o mais evoluído ser de luz a que a Terra jamais teve acesso. Proveniente do “Sol Central”, com a função primordialmente técnica ligada ao 'serviço eletromagnético'. Foi enviado por um grupo de 'Mestres Extrafísicos', chamado 'A Irmandade'. Veio dessa vez para reordenar a 'rede magnética planetária', visando uma série de mudanças magnéticas no eixo da Terra, que se encerrará no ano 2012".
Perguntamos, diante de toda esta baboseira: "Como ficaria Jesus se isso fosse uma verdade, Ele que se acha plenamente definido e devidamente apresentado na pergunta 625 de "O Livro dos Espíritos", como o ser mais perfeito que Deus há enviado à Terra para nos servir de Guia e Modelo?
Mas os absurdos não ficam só nisso, não, vão muito mais além. Vejamos. O "Kryon" afirma que Deus não existe, propondo a idéia panteísta negada peremptoriamente pelo Espiritismo, como se encontra no livro básico nas perguntas 14,15 e 16. Destaquemos, diante da pergunta feita por Kardec, segunda a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo, seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade; ou seja, que pensar da doutrina panteísta, os Espíritos responderam: "Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser uma parte der Deus". Irmãos e irmãs, não é exatamente o que esse "Kryon" deseja ser? Assim são todos aqueles que aportam na Terra trazendo suas idiossincrasias religiosas, suas ambições estampadas em suas palavras e comportamento.
Notem mais o que disse o tal "Kryon": "Os seres humanos que vivem na Terra eram anjos muito evoluídos que assinaram um contrato (sic) para vivenciar uma experiência humana no planeta Terra, motivo pelo qual seríamos honrados e celebrados em todo Universo" Disse mais: "A Humanidade atingiu a 'Convergência Harmônica' necessária. Essa experiência é a de vivermos com um nível vibracional rebaixado para a terceira dimensão, sem as memórias ou lembranças de nossa origem divina".
Essa 'Convergência Harmônica", segundo o livro de Lee Carroll, é um conjunto de informações pseudocientíficos que se acham por todo texto sem explicação lógica alguma.
Segundo "Kryon", desde 1987 estariam nascendo crianças com o DNA alterado, que seriam essas "crianças índigo". Existe referência também às crianças cristal.
Acontece, simplesmente, que, cientificamente, nenhuma modificação do DNA transformaria moralmente indivíduo algum. A moral não se acha no corpo, mas no Espírito. Se esse "fantasma Kryon" desconhece essa realidade, que credibilidade pode aspirar, ainda mais a nossa?
Segundo "ele", essa suposta mutação das crianças "as tornarão uma nova raça que irá habitar uma galáxia que está sendo criada a 12 bilhões de anos-luz da Terra". Outra afirmação descabida, bizarra, porque a criação tardia de uma galáxia não tem embasamento científico algum. A Natureza e as suas leis não se enganam.
Para terminar, porque pelo exposto estamos diante de espíritos encarnados e desencarnados num miserável processo obsessivo do qual não sairão com facilidade, o "Kryon" indagado para responder a pergunta assim formulada: "Querido Kryon na Califórnia você nos falou que segurar pílulas na mão pode curar eliminando os possíveis efeitos colaterais. Então, é seguro ficar segurando Prozac?, respondeu: "Seu corpo sabe que substância vocês estão segurando (meu Deus !!!). Portanto, é possível impregnar as propriedades da intenção de usar a substância em suas células. Assim não há efeito colateral de uma droga, por exemplo. Apenas pensem...um frasco de aspirina ou antiácidos durará anos". CHEGA. .'.,.. não é leitor(a)?
E Kardec alertou sobre consultas a serem feitas aos Espíritos: "Os Espíritos sérios sempre respondem com prazer às perguntas que têm por objetivo o bem e os meios de progredirdes, não atendem às fúteis". Disse mais, diante da pergunta "Basta que uma pergunta seja séria para obter uma resposta séria?, o seguinte: “Não; isso depende do Espírito que responde". Kardec insiste: Mas, uma pergunta séria não afasta os Espíritos levianos? Obteve como resposta: "Não é a pergunta que afasta os Espíritos levianos, é o caráter daquele que a formula" (2).
Ah, se o "Kryon", Lee Carroll, Jan Tabler e tantos outros estudassem os livros da Codificação, principalmente O Livro dos Médiuns! Quantos benefícios hauririam!

(1)Livro "A Gênese", autor Allan Kardec, cap.XVIII, página 418 "A Geração nova".
2) Livro "O Livro dos Médiuns", autor Allan Kardec, cap. XXVI, item 288.
Nota: Matéria publicada na Tribuna Espírita, João Pessoa, PB, edição de setembro/outubro de 2007.
*o autor é escritor, palestrante espírita e atua também em programas radiofônicos.

Revista Internacional de Espiritismo - Janeiro de 2008

sábado, 20 de abril de 2013

OS ANIMAIS NA ESPIRITUALIDADE

ESTEJEIS DOTADO DE SENSO CRÍTICO, NÃO AQUELE QUE SE COSTUMA LANÇAR CONTRA OS OUTROS, MAS DAQUELE QUE SALUTARMENTE NOS DESVIA DOS PERCALÇOS E NOS DEMONSTRA OS EQUÍVOCOS ABRAÇADOS.

(FREI FELIPE).

Se ainda encarnados nos dedicamos ao estudo da questão dos animais na espiritualidade nos deparamos com informações confusas e contraditórias e, existem em abundância, reforçando alguns equívocos. Muito grande é o número de médiuns, estudiosos espíritas e de outras correntes espiritualistas, que expõe sua opinião, ou seja, seu modo de compreender, nessa questão sobre o destino dos animais. Infelizmente tais estudos particulares pecam pela falta de profundidade nos questionamentos, o que é natural tendo em vista que nos concentramos muito mais nas questões que nos dizem respeito, que nos pareçam mais interessantes e respondam a nossas indagações e anseios íntimos. Excetuando as obras da codificação, que trata de forma sucinta, mas objetivamente a questão, as demais obras têm caído em um equívoco comum. O equívoco compreensível de se deixar levar pelo apego afetivo aos animais domésticos, que acaba por nos fazer enxergar as coisas como desejamos que fossem e não como realmente são.

Não é o objetivo deste singelo ensaio colocar um ponto definitivo sobre a questão, mas objetivamos com ele demonstrar que a grande maioria das interpretações tem fugido aos ensinos dos espíritos descritos nas obras basilares da Doutrina Espírita. Primeiramente devemos traçar uma diretriz fundamental a nossa reflexão, nos são enfáticos os espíritos responsáveis pela codificação espírita que tanto o espírito, que anima os seres humanos, quanto o princípio inteligente, que anima os animais, tem uma origem comum no que denominam Fluído Universal, ou ainda, Fluído Cósmico Universal.

Afirmam-nos ainda, estes mesmos amigos de mais além, que evoluímos do átomo ao arcanjo, demonstrando que a evolução procede igualmente em todas as esferas. Essa questão é indubitável, haja vista o projeto genoma, que mapeando nossa identificação genética deixou margem para a constatação de nossa gradual e lenta evolução. O que une em uma mesma ramificação todos os seres vivos que conhecemos. Isso quebra qualquer crença em superioridade racial, e mesmo, qualquer ideia de que o ser humano tenha sido uma obra especial da Criação, e isto é fato incontestável.

Na questão 597 do Livro dos Espíritos encontramos: “Há nos animais um princípio independente da matéria, e que sobrevive ao corpo”. Tendo em vista esta afirmação podemos considerar que os animais desencarnados permanecem junto à prole. Os espíritos André Luiz, em sua obra Evolução em dois mundos, e também Emmanuel, em A caminho da luz, destacam que o ser humano primitivo ao desencarnar permanecia jungido à comunidade familiar em que havia tido sua reencarnação, sequer constatavam que seus corpos haviam perecido, seguiam vivendo desejosos da alimentação, do sono, do instinto de sobrevivência, que inclui a perpetuação da espécie. Fica fácil deduzir, por um questão lógica, que não haveria para eles a necessidade de permanecerem desencarnados, já que isso não lhes era proveitoso, viviam quase que maquinalmente, atendendo a instintos, básicos e primitivos.

Nossa capacidade de pensar e sentir foi aos poucos sendo estimulada pelo contato com a matéria, a utilização do circuito cerebral é um impulso neste sentido. Poderíamos dizer, simbolicamente para facilitar a compreensão, que nos emprestam um corpo mais denso até que estejamos em condições de manejar um corpo mais sutil e de maiores possibilidades. E nesse sentido o contato com a matéria é a chave do progresso, por isso sua necessidade é inerente ao processo de amadurecimento psíquico.

Vivendo esta intensa relação com a matéria densa os animais não estão sujeitos a expiações, pois não se destaca neles, como em nós, o livre-arbítrio, progredindo por ação da lei natural de evolução. Os espíritos confirmam isto no que ditaram a Allan Kardec: “A liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades.” (Questão 595 de O livro dos Espíritos). Estamos falando de agir instintivamente, o que no ser humano vem ao longo dos milênios sendo elaborado pelas emoções e transformando-se em sentimentos, mais ou menos, refinados, conforme nosso progresso individual.

Na questão 598 afirmam: “Após a morte, a alma dos animais conserva sua individualidade, mas não a consciência de seu eu. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.” Não poderia ser diferente, se nos seres humanos primitivos esta elaboração ainda estava inconclusa não conseguiríamos encontrá-la de modo mais sofisticado nos animais. Como afirmamos anteriormente, a necessidade do contato com a matéria é imprescindível ao desenvolvimento evolutivo.

Essa resposta nos remete a outra reflexão, variadas correntes espiritualistas acreditam que um espírito que animou anteriormente um ser humano poderá voltar em uma próxima reencarnação habitando o corpo de um animal. Tal assertiva está em estrondoso equívoco, fugindo completamente a lógica. Aceitar esta proposição é como querer que todo o Oceano possa ser represado por um copo d’água, ou seja, impossível. O Espírito tem uma elaboração psíquica muito superior a do princípio inteligente. Como nos reportam os espíritos superiores, há entre o ser humano e os animais a mesma distância evolutiva que existe entre os seres humanos e a classe de espíritos puros. Sendo assim, a metempsicose fica completamente descartada.

Voltando ao nosso raciocínio, sem a consciência de si mesmos, a permanência dos animais na espiritualidade se torna infrutífera, posto que não aprendem nada. “O animal após a morte é classificado pelos espíritos a quem incumbe essa tarefa e quase imediatamente utilizado. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. (LE nº600).” Em O Livro dos Médiuns os espíritos responderam a Kardec quando este perguntou se se poderia evocar o espírito de um animal: “Depois da morte do animal, o princípio inteligente, que estava nele, fica em estado latente; logo é utilizado por certos Espíritos, encarregados desse cuidado, para animar novos seres nos quais continua a obra da sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos, não há Espíritos de animais errantes, mas somente Espíritos humanos. Isso responde à vossa pergunta”.

Estas respostas não devem impressionar os indivíduos dotados de senso crítico, que não aceitam afirmações sem o crivo da razão. Procuramos demonstrar pela lógica que não há dúvidas quanto a esta questão. A dúvida nascente advém da falta de um estudo minucioso e comprometido sobre os temas que nos embalam. Perdemos demasiado tempo em discussões que não nos levam a nada, ao invés, de nos focarmos objetivamente em conhecer nossa própria intimidade visando nortear nossa caminhada evolutiva.

Certamente perguntarão, mas e os relatos romanceados de animais e as descrições mediúnicas a esse respeito? Tudo equívoco? Em sua imensa maioria afirmamos taxativamente que sim. Os espíritos codificadores vão igualmente nesta questão mais adiante quando respondem à pergunta de Kardec, também constando em o Livro dos Médiuns: “Como se dá, então, que certas pessoas tenham evocado animais e obtiveram respostas?”. Ao que respondem: “Evocai um rochedo e ele vos responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos para tomarem a palavra para tudo”.

Podemos supor daí que nunca um princípio inteligente que tenha habitado um animal possa se manifestar? Raramente, seria a resposta mais correta, e não serão por mera curiosidade ou apegos saudosistas que estas manifestações ocorrerão. Renomados cientistas como, William Crookes, Charles Richet, Gustave Geley e outros, se dedicaram ao estudo dos fenômenos psíquicos. Objetivando encontrar bases científicas para tais fenômenos foram auxiliados em seus estudos por Espíritos superiores, mas estes mesmos cientistas não temeram afirmar que muitas das manifestações de ectoplasmia tinham origem nas criações mentais dos médiuns.

Nossa incompreensão com relação aos fenômenos que nos envolvem na condição de observador ativo nos faz cair neste tipo de equívoco. A vinculação afetiva existente entre os seres humanos e seus animais de estimação faz com que impressões psíquicas impregnem o ambiente. André Luiz fala em “plasma divino”, ao que a ciência tradicional vem chamando de “campos mórficos”, que seria a capacidade dos ambientes de registrar as impressões emocionais que nos embalam. O acesso a essas informações se processa pela faculdade mediúnica que a Doutrina Espírita classifica com o nome de Psicometria. Concorrendo com essa alternativa podemos ajuntar os fenômenos ideoplásticos, que são a propriedade do pensamento de movimentar a matéria para fins diversos. Ainda no fenômeno de ideoplastia situamos as criações doentias, como a zooantropia e licantropia.

E os relatos das colônias espirituais, os animais que lá vivem? Mais do que ninguém a direção de tais instituições tem conhecimento da impossibilidade da permanência dos animais para embelezamento de jardins e praças. Haveria completa futilidade se assim procedessem. Como afirmamos ainda a pouco, é o fenômeno ideoplástico que se encarrega destas questões.

Mesmo médiuns sérios e comprometidos com ideais elevados podem cometer esses equívocos de interpretação. Precisamos nos atentar para o fato de que até mesmo para os espíritos desencarnados estas averiguações podem se fazer muito complexas. Se não estivermos imbuídos de um senso crítico racional para nos defrontarmos com os fenômenos mediúnicos é certo que nos equivocaremos muitas vezes, mas isso é natural em um processo de aprendizado. O que importa é estarmos conscientes de nossa falibilidade e possuirmos a humildade de mudar de opinião em constatando o erro. Tudo é racional na obra de Deus, o que nos foge ao raciocínio é consequência de nossas limitações.

Para concluir, podemos igualmente ficar tranquilos com relação a fenômenos obsessivos que possam envolver animais. Devemos deixar de nos imaginar tão importantes ao ponto de conseguir interferir nas engrenagens de uma lei natural retardando ou adiantando a evolução destes princípios inteligentes. Pela falta de conscientização dos princípios inteligentes eles sequer conseguem nos obsidiar como algumas pessoas pensam. Ao estudo meus irmãos, e do estudo ao trabalho, não percamos mais tempo!

Frei Felipe.

São Leopoldo, 05 de julho de 2006.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

CRIANÇAS ÍNDIGO?

Algumas pessoas ainda fazem questionamentos sobre essa idéia que apareceu no Movimento Espírita sem apresentar nenhum argumento racional que fosse. Deixo para os leitores um texto escrito por Richard Simonetti, que leu a obra original, e respondeu as principais dúvidas que ainda persistem sobre a questão. Esta entrevista foi publicada na Revista Internacional de Espiritismo em junho de 2007.

Abaixo o artigo:

Crianças índigo

Richard Simonetti


1 – Fala-se muito, na atualidade, das crianças índigo. Quem são?
Segundo a norte-americana Nancy Ann Tappe, que se diz dotada de visão mediúnica, constituem uma geração de Espíritos enviados por Deus para grandiosa missão em favor da renovação da Humanidade. Afirma que essas crianças têm uma aura azul. A partir daí formaram-se grupos de pessoas que, aderindo à idéia, identificam esses “missionários” por um padrão de comportamento.


2 – Constituiriam a nova geração, de que fala Allan Kardec, em A Gênese?
Pode ser uma nova geração, mas longe do idealizado por Kardec. Diria uma geração de Espíritos perturbados, dotados de razoável desenvolvimento intelectual, mas um subdesenvolvimento moral, comprometidos com graves desvios de existências anteriores.

3 – O que o leva a essa conclusão?
Sua índole está longe do que se espera de Espíritos mais evoluídos.
Segundo Lee Carroll e Jan Tober, escritores americanos, autores do livro Crianças Índigo, elas se sentem e agem como nobres, experimentam dificuldade para lidar com a autoridade, têm graves problemas de relacionamento, tendem ao isolamento, detestam a disciplina e assumem posturas que contrariam elementares princípios de civilidade.

4 – Esse padrão de comportamento aproxima-se do sul-coreano que matou 32 pessoas numa escola, nos Estados Unidos. Teria sido uma criança índigo?
Com a palavra a própria Nancy, em entrevista transcrita no livro: todas as crianças que mataram colegas da escola, ou os próprios pais com as quais pude ter contato, eram índigo. E acrescenta: Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse mesmo tipo de pensamento macabro, quando crianças, mas tínhamos medo de colocá-lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo. Espantoso e assustador que se credite a esses Espíritos a missão de renovar a Humanidade!

5 – E sob o ponto de vista médico, como são encarados os índigos?
As conclusões de psicólogos não são nada favoráveis. Quase todos os índigos sofrem de TDAH, Transtorno de Deficiência de Atenção com Hiperatividade. Sintomas: são desorganizados, comportamento indisciplinado; têm dificuldade para fixar atenção na escola; são extremamente inquietos; não se dão bem no casamento, incapazes de um relacionamento estável.

6 – Há relatos sobre crianças índigo no livro?
Vários. Num deles a experiência de uma senhora que surpreendentemente se diz orgulhosa do filho índigo que, dentre outras façanhas, não ia bem na escola, brigava com professores e colegas, saiu de casa para morar sozinho aos quinze anos, roubou o carro do pai de um amigo e uma imagem numa igreja. Esteve preso por um ano. Depois foi novamente preso por dirigir perigosamente, provocar acidente, não pagar multas.

7 – Há muitos índigos entre nós?
Segundo Nancy, noventa por cento das crianças com menos de 10 anos, na atualidade, são índigo, o que explicaria a conturbação no Mundo, a dificuldade de relacionamento no lar, a indisciplina, os vícios, os crimes, o descalabro da sociedade.

8 – Como justificar o sucesso do livro e a formação de uma corrente de opinião, no meio espírita, situando essas crianças como autênticos missionários?
Tenho a impressão de que esses confrades não se deram ao trabalho de ler o livro, aderindo a uma fantasia, a começar pela maneira como seriam identificados esses “missionários”. A aura azul é própria de Espíritos pacificados e pacificadores, bem longe do comportamento inquieto e conturbador dos desajustados índigos.

FONTE

*Revista Internacional de Espiritismo. Junho 2007

*Texto publicado posteriormente na Folha Espírita – Órgão de divulgação da Associação Médico Espírita.