quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DEPENDÊNCIA

Percebemos que as pessoas envolvidas em suas perturbações íntimas adotam costumeiramente duas possibilidades de entendimento para suas dificuldades. A primeira e prejudicial, é encarar seus problemas como uma injustiça do destino, obra a cargo da vontade de Deus. A segunda possibilidade é enfrentar seus medos de frente, se possível encarando-os como oportunidades de crescimento, e dividindo esse crescimento com aqueles que se encontram próximos de nós.

Uma das grandes dificuldades presente em todos nós é a dependência. Extremamente prejudicial a nossa tranqüilidade íntima.

Alguém que depende demasiadamente de outra pessoa, seja de ordem física ou moral (necessidade de aprovação), tende a abrir mão de sua personalidade para não se sentir desamparada. Crê-se incapaz de caminhar com as próprias pernas.

A sensação de solidão, o fato de sentirmo-nos ainda sozinhos no mundo, é uma característica inerente ao nosso atrasado estado evolutivo. Não conseguimos observar a obra de Deus que concorre para o nosso crescimento, nos amparando a cada instante, e por isso nos imaginamos fora do lugar onde acreditamos que deveríamos estar.

Jesus, o terapeuta maior, nos mostrou esta característica humana, quando teve também seu momento de incertezas (Pai porque me abandonastes?). Não que Jesus apresentasse está dúvida, mas ele na condição de espírito encarnado, demonstrava ali, naquela atitude, para todos que conseguissem perceber, sua proximidade com os demais seres humanos. Deixava claro, que estava ele na Terra sob a condição humana para demonstrar que tudo que vivenciava era também possível de ser alcançado por nós, espíritos mais atrasados. Alertando aos seres que a paz de espírito era também possível a todos, se seguíssemos seus exemplos, se iniciássemos a nossa busca pessoal e intransferível.

A solidão, que nos faz por vezes imaginarmo-nos abandonados, sem rumo, provoca-nos a insegurança. Tornando-nos demasiadamente dependentes. Essa insegurança nos acarreta sofrimentos atrozes. Por diversas vezes buscamos sufocar a nós mesmos, nossos ideais, nossas expectativas, nossas esperanças para o desenrolar da vida. Tudo para não nos sentirmos desprotegidos e desamparados daqueles em quem excessivamente nos escoramos.

Convencionemos para melhor exemplificação a imagem de um relacionamento, dividido por um individuo orgulhoso e egoísta de um lado, e de um indivíduo inseguro e dependente de outro lado.

Aquele que se sente inseguro e, portanto dependente da aprovação do outro na busca de uma sensação de conforto, insuflaria a vaidade e o egoísmo de seu companheiro por demonstrar-se muito apegado a sua pessoa. Já o indivíduo orgulhoso (vaidade é muito semelhante ao orgulho) tornar-se-ia, pela excessiva valorização por parte do companheiro, um indivíduo a cada dia mais egoísta, crendo-se possuidor de qualidades superiores que em realidade não possuiria. Ambos abasteceriam suas imperfeições mutuamente. Até o instante em que a convivência tornar-se-ia insuportável, e ruindo o relacionamento se lhes descortinaria um novo panorama.

Mesmo observando uma situação como a acima descrita, podemos perceber a inteligência divina atuando. Os dois companheiros exercitariam no convívio diário as desilusões e exigências de uma relação de dependência mútua. A cada dia teriam, nas novas situações, oportunidades para aprender com os próprios erros, os desenganos seriam as ferramentas que possibilitariam o descortinar de uma nova visão íntima na busca do equilíbrio existencial.

A dependência nos torna seres inseguros diante da vida. Apego demasiado a familiares e amigos, dogmas e situações, nos limitam a verdadeira compreensão da vida. Lidar com estes apegos é algo de extrema dificuldade, e ninguém imaginaria que pudesse ser diferente. Somente através de um processo natural de harmonização com a vida, processo este de descoberta interior, poderá o espírito compreender que todos possuem a mesma origem. Pertencemos todos a uma mesma família. Se a vida não finda com a morte do corpo, então certamente estaremos sempre ligados uns aos outros pelos estreitos laços de afeição ou ódio que cultivarmos.

Todos nós já desencarnamos e reencarnamos por diversas oportunidades, não recordamos na maioria das vezes é verdade, mas já o fizemos. Segundo esse pensamento já sentimos a perda de entes queridos em diversas outras ocasiões, assim como também já fizemos com que outros lastimassem a nossa passagem de plano. Nos encontramos, cada um de nós, em momentos muito particulares na escalada evolutiva. E isso faz com que por diversas vezes venhamos a necessitar seguir por caminhos diferentes dos daquelas pessoas aos quais nos afeiçoamos. Porém sem jamais estarmos distantes se a afeição que nos move for realmente sincera e ligada ao verdadeiro amor. Todos somos irmãos, se alguns momentaneamente distanciam-se de nossas vidas, outros se aproximam, porque nunca estamos totalmente sós. Somos seres de relação.

Admiramo-nos muito com a beleza da lei divina, que concorre para o perdão incondicional das dívidas do passado. Em grande parte das situações, aqueles seres por quem lastimamos hoje a partida, foram em existências recuadas um adversário a quem desejamos mal ou procuramos conduzir a ruína. Fatos como esses provam a nós todos, que o perdão é possível, que as dívidas podem ser resgatadas, e que o amor cobre a multidão dos pecados.

Mais uma vez a dependência, imperfeição do espírito que nos leva a insegurança e conseqüentemente ao sofrimento, surge esplendorosa como mais uma prova do amor de Deus por nós. É a lei harmoniosa da vida nos fornecendo recursos para o despertar de nossas consciências. Transformando os seres humanos em irmãos pelas vias solidárias da dor.

 

São Leopoldo, 28 de abril de 2004.

Josefina

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ECTOPLASMIA (5)

ESCLARECEMOS QUE O PROCESSO DA ECTOPLASMIA revelando o aparecimento de um ser humano (Espírito envolto no ectoplasma) não representa exclusivamente a vestidura com ATP. Haveria na massa ectoplásmica, em sua constituição, pelo alto teor de energias que carrega consigo, outros elementos orgânicos das próprias células ou mesmo substâncias arrecadadas na natureza, em específicas reações químicas às expensas de equipes espirituais que participem do processo.
Chepelle descobriu que o mecanismo de emissão de luz dos pirilampos (vaga-lumes) estaria ligado a uma enzima, a luciferase, quando oxidada pela luciferina. Neste mecanismo, não haveria participação ativa do ATP celular? Não existiria, neste processo, uma correlação, pela reações afins, de doação de energias embora em degrau bioquímico diverso, com a mecânica da ectoplasmia?
Na ectoplasmia, a bioquímica seria mais avançada, e deverá existir uma participação toda especial das camadas profundas do psiquismo do doador, sem que a vontade e o raciocínio da zona superficial ou consciente possam interferir. Isso não quer dizer que a zona do inconsciente ou espiritual do doador ou médium seja a responsável pelo processo ectoplásmico, mas uma zona orientadora dos mecanismos psicológicos e parapsicológicos.
Só haverá ectoplasmia de um ser humano quando o campo inteligente do agente psi-theta, ou campo espiritual, comandar o processo. O inconsciente ou psiquismo de profundidade do médium dirige o seu próprio metabolismo e quimismo, mas nunca a moldagem externa do objeto. A substancia ectoplasmica, ao definir a morfologia humana, terá que sofrer a influência orientadora dos vórtices inteligentes do agente modelador que, de acordo com a necessidade e possibilidade, traduziu o processo de modo parcial ou total, a fim de atingir a sua finalidade.
As variedade de ectoplasmia são inúmeras e com tonalidades especificas. Existem moldagens tão marcantes da parte do doador (médium) que o campo modelador não consegue efetivar com precisão as suas próprias características, mostrando semelhança com o corpo do médium; é como se o médium reforçasse o mecanismo com substância pré-moldada, isto é, como se o seu corpo astral (matéria orgânica especifica irradiante) fosse projetado na massa ectoplasmica em processamento. Isso tem criado muita celeuma quanto à validade do processo. Aqui não cabe a discussão do problema.
Além das variedades parciais ou totais, a ectoplasmia poderá ser opaca ou luminosa. Neste último caso, pela iluminação da forma em exposição devido à queima do fósforo, será apreciada com detalhes, pela nossa visão, a aparição. Sabemos que os processos de ectoplasmia, em sua maioria, necessitam da ausência de luz branca para a sua realização; esta como que desorganiza o processo, o que não acontece com a faixa luminosa do vermelho, até recomendado nas câmaras de ectoplasmia.
Concluindo, a ectoplasmia encontraria no ATP das células umas das substâncias específicas paras as próprias moldagens. E estas só seriam possíveis com a presença do campo-organizador-orientador do agente psi-theta ou Campo Espiritual.

Autor: Jorge Andréa (médico psiquiatra) – Extraído da revista Espiritismo e Ciência nº 13.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DIZER A VERDADE

O que temeis? Acaso não sabes que a verdade é sempre a melhor companheira dos justos?

Há circunstâncias na vida que falar a verdade pode nos causar situações desagradáveis, entretanto, falseá-las acarreta conseqüências que se escondem sob o delírio das sombras. Não estamos vivos para sermos unanimidades, sequer possuímos a força para enfrentar nossas próprias dificuldades íntimas. Porém, aquele que se torna justo aos olhos de Deus conta sempre com uma inspiração amiga, que se não pode privá-lo das dificuldades o auxilia a enfrentá-las.

A sabedoria e a misericórdia dão ao homem o direito de amenizar o peso da verdade na vida alheia, atenuando o mal que poderíamos fazer por imaturidade. Valendo-se de subterfúgios para falsear pisamos sob terreno movediço, e ao qual jamais conhecemos a verdadeira profundidade, não sabendo, portanto, até onde podemos afundar.

Ante a dúvida em como proceder, tranqüiliza teu coração e lança o pensamento em prece ao Criador. Confia na inspiração que lhe chega aos ouvidos da alma. Uma petição em prol da verdade jamais fica sem uma justa resposta.

Rabelais

10.06.2009

domingo, 1 de novembro de 2009

VÍNCULOS SOCIAIS

Vivendo isoladamente o ser humano não tem oportunidades de vivenciar a tolerância, a paciência e o respeito pelas opiniões que divirjam das suas. Por esse motivo o ser humano carece de vínculos sociais. Como acontece em grupos familiares onde em muitas ocasiões desafetos se atraem mutuamente para o convívio doméstico. Ou ainda, grupos selecionados conforme os interesses comuns, mas de qualquer forma, o ser humano avança tendo que aprender a lidar consigo mesmo em meio ao convívio social.

Não é de se estranhar, portanto, que ocorram atritos quando estamos em algum grupo. A convivência constante nos faz conhecer as manias uns dos outros. Por vezes, como isso nos incomoda, e se não soubermos administrar pode crescer ao ponto de se tornar um constante aborrecimento. A grande pergunta que devemos fazer é o que existe por detrás dessas constantes divergências em grupo?

Certamente não faltaram aqueles companheiros mais ousados que num ágil exercício intelectual buscaram respostas nas vidas pregressas, por vezes projetando total responsabilidade nessas circunstâncias. Essa terceirização de responsabilidades nos faz dissimular a iniciativa que devemos tomar no sentido de transformar a nós mesmos perante situações que nos aborreçam.

A pergunta mais apropriada a ser feita seria mais ou menos assim: o que a outra pessoa faz que aguça dessa maneira meu egoísmo? Preciso tornar consciente o que me incomoda para então agir. Esses são alguns dos desafios que a convivência em grupo nos propicia para amadurecermos.

Não ocorre o mesmo tipo de situação em agrupamentos religiosos, como o caso dos centros espíritas? Depois de muito tempo juntos, coisas que antes não percebíamos passam a incomodar. Começa-se a ouvir alguns comentários padrões, o ambiente anda ruim, estou desmotivado, as pessoas não me entendem, não reconhecem meu trabalho, deve ser uma obsessão coletiva, etc. Na maioria das vezes a única coisa que falta é trabalho para ocupar a mente ociosa que tem tempo de criar problemas.

Entretanto, não devemos julgar essas dificuldade como sendo inaceitáveis. É perfeitamente normal na convivência em grupo. Algumas vezes onde enxergamos problemas algumas pessoas conseguem enxergar oportunidades para crescer. O ser humano tem alterações nos rumos de sua vida, possui também a liberdade de escolha. Será melhor? Será pior? Isso depende de variadas circunstâncias e de decisões que tomarmos a cada passo.

Não devemos achar estranho que o ser humano tenha um invencível desejo de constante mudança, está latente em nós a busca pelo progresso. E cada qual busca o progresso conforme seu entendimento e suas prioridades momentâneas. Precisamos na verdade aprender a sermos menos implicantes. Se sobra tempo para repararmos e criticarmos a vida alheia é porque andamos com muito tempo livre. Colocando as mãos no trabalho os pensamentos aos poucos tendem a seguir o mesmo caminho, e vai parecer que os problemas sumiram.

Diante da crise aposte no trabalho e faça silêncio, pois se você fala de alguém tenha certeza de que em algum lugar alguém também está falando de ti. Pois você também pode possuir defeitos que sequer desconfia ainda.

FREI FELIPE

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ECTOPLASMIA (4)

Autor: Jorge Andréa (médico psiquiatra) – Extraído da revista Espiritismo e Ciência nº 13.

NO NÚCLEO CELULAR EXISTIRIAM FONTES específicas de energia, ligadas ao ADN e ARN (ácido desoxirribonucléico e ribonucléico), a comandarem os processos metabólicos mais expressivos no soalho protoplasmático. O elemento participante ativo desse processo de formação de energias no corpo celular seria o ATP (trifosfato de adenosina), resultante do ciclo de Krebs. O ATP, sendo a fonte primordial de energia nos processos celulares, estaria comprometido na formação do ectoplasma. Esse processo de doação do ATP traduziria uma “qualidade especifica” do médium na manifestação da fenomenologia paranormal de efeitos físicos.
Haveria, neste caso, por intermédio das organizações celulares, uma maior irradiação dessas energias, que se tornariam mais expressivas nas reuniões destinadas a esse tipo de trabalho. Isto mostraria a influencia dos participantes da equipe (encarnados e desencarnados) concorrendo no maior fornecimento da substancia ectoplasmática por parte dos que apresentam essa possibilidade. Quando a quantidade de substancia irradiativa fosse bem expressiva, já fora da fonte de origem, poderiam mostrar-se sob forma gasosa visível (nuvem), por um processo de condensação, constituindo material especializado e com possibilidade de aproveitamento nos mecanismos em pauta.
No denominado passe energético, muito utilizado nas casa espíritas sob forma de fluidoterapia, acreditamos que esses elementos de irradiação, devidamente elaborados pelo psiquismo, carregam em seu bojo quase que especificamente energias originárias no ATP da usina celular. Ainda mais, este material de doação energética, passando à dimensão física por condensação, poderá ser aproveitado pelas Entidades Espirituais na vestidura de seus campos de forças nos trabalhos especializados da ectoplasmia.
Assim, essa substancia, o ATP, deverá fazer parte do ectoplasma e, à medida que o processo se desenvolve por condensação, vai oferecendo as naturais modificações químicas pela queima da molécula fosfórica que permitiria a ectoplasmia luminosa; por tudo, podemos avaliar a importância do fósforo, em suas múltiplas combinações, no mecanismo da ectoplasmia.

domingo, 11 de outubro de 2009

OS DESAFIOS QUE ENCONTRAMOS

Todas as decisões que tomamos interferem na vida de outras pessoas. Será possível que uma decisão simples de fazer ou não fazer determinada escolha vai alterar de modo substancial minha vida?

Os caminhos que trilhamos não estão todos eles traçados de maneira irrevogável como muitas pessoas supõe. Iremos sempre arcar com as conseqüências do que somos e em função disso das atitudes que viermos a tomar. Porém, as opções encontram-se disponíveis. Um gesto, um olhar, um segundo a mais de paciência, pode frear uma atitude precipitada e nos fazer trihar um caminho completamente diferente.

Entretanto, não é uma obrigação sofrer em funcção de nosso passado de equívoco? Deus, sendo todo amor, exigiria o sofrimento de alguém? Os erros de criaturas imaturas, que ainda precisam aprender muito sobre a vida, poderia condená-los a um sofrimento irremediável?

Se a motivação dos erros se modifica o resultado, por conseqüência, també será modificado. Sofremos as conseqüências de nossos atos, jamais uma imposição divina.

Frei Felipe